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domingo, 13 de dezembro de 2009

Cinquentinha também ataca educação pública


Não assisti à noite, pois não acordaria para o trabalho, mas a nova minissérie da Globo, Cinquentinha, que pode ser divertida e promissora na abordagem de alguns temas-tabus, já esboçou - através da personagem Vanessa - sua paranoica campanha de difamação contra a educação pública.


A citada personagem no segundo episódio que foi ao ar dia 9 de dezembro (pode-se conferir pelo youtube: Minissérie Cinquentinha - Episódio 2 - 09/12/09 - Parte 3)está namorando um traficante, que óbvio é negro e é do morro. Mas afora os clichês - pois parece que só há tráfico no morro e só há traficante negro, o que está muito longe de ser verdadeiro, mas deixemos esta polêmica que agora não é a hora dela, para tratar de outra - a personagem Vanessa brada, cheia de suposta razão, que, enquanto o pai pode ser um petroleiro que passa metade do mês numa plataforma em alto-mar, o Olhão (personagem do traficante) não teve chance. E o pai pergunta: O tal do Olhão não estudou por quê? Porque ele perdeu o tempo dele numa escola pública! (retruca a personagem Vanessa)


Ora, 90% dos brasileiros perderam seu tempo na educação pública e isso não os tornou traficantes. Isso é um absurdo!!! É descaradamente uma campanha em favor da educação privada supostamente formadora de pessoas honestas e de uma índole incontestável, além de profissionais altamente gabaritados. Longe de ser verdadeiro o que está por trás desta simples frase de efeito é o fim da educação pública para entregar mais esta fatia à iniciativa privada, assim como foram entregues a telefonia (Veja a Telefonica que coisa boa em nossa vidas!) ou a energia elétrica(A AES que não foi boba de mudar o nome da Eletropaulo, que cobra a mais por energia que nem se consumiu, conforme recente denúncia).


Outro dia saiu no jornal uma pesquisa também supostamente baseada em critérios científicos dizendo que os piores profissionais são os que destinam ao magistério. E outra então dizia, que em geral os professores são filhos de pais com pouca ou nenhuma instrução formal. Então não há remédio. Sem nem estudando as pessoas que nascem de verdade no interior da classe trabalhadora podem ter chance o que querem estes pesquisadores patrocinados por empresas privadas.


Esta semana, uma destas pesquisadoras Paula Lauzano interpretou os dados de uma pesquisa para referendar a má qualidade do ensino público a partir da asuência de conhecimento dos pais/responsáveis sobre o conteúdo que os seus filhos irão aprender ao longo do ano. Isso é um Ultraje a rigor - para fazer trocadilho com a banda de rock dos anos 80.


Esses pesquisadores de gabinete não conhecem a realidade da escola pública, que ainda vive de mimeógrafo e que - há exceção de poucas redes - não dispõem de equipamentos de última geração (o que também não garante nada de antemão, aliás, às vezes nem ao menos de giz, depara-se com temas e momentos que são desconhecidos pelos senhores de gabinete, tais como: abuso sexual, espancamento, alcoolismo, dependência químicas de outra ordem, abandono, descaso, desestrutura emocional. Além disso, para ilustrar, papel higiênico é item de luxo no banheiro dos professores. Café e água pagamos do nosso bolso em cotizações mensais. Essa realidade não se expressa nas pesquisas nem parece fazer diferença nas estatísticas, mas faz. No dia-a-dia ainda temos que vencer estas fabulosas estatísticas.


Outra pérola que não aparece é a progressão automática que está há mais de 15 anos destruindo a educação pública em troca de cada vez mais políticas assistencialistas de leve-leite, entrega mochila, kit escolar, uniforme com meia e tênis, que são descartados para primos, irmãos, vizinhos carentes. Ainda há o delito de terem atirado de uma hora para outra a tal da cartilha Caminho Suave, o método de ensino mais injustiçado depois de 70 anos alfabetizando uma população, que o que aprendeu não esqueceu. Tudo foi enterrado em nome do pseudoconstrutivismo europeu trazido enlatado para os parâmetros brasileiros de superlotação de salas de aula.
É isso.
Gislene Bosnich

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Kassab encomeda pesquisa sobre satisfação ao seu (des)governo ou Desgoverno e descaso: rimas prá lá de parnasianas


Mais um apagão, mais um desmoronamento - desta vez de uma viga, mais um desastre envolvendo shopping. Três momentos compassados do desgoverno e do descaso da elite brasileira. Lula não sabe de nada. Serra não viu nada, mas vai averiguar, e Kassab comparece para a multa, seu forte nos últimos meses. Nenhuma rima de verdade. Só o sabor amargo do descompromisso com os trabalhadores. Pausa. Pausa de alguns dias até ter tempo de voltar a escrever. São 17h do dia 24 de novembro, estou em casa porque minha voz está pedindo trégua. Toca o telefone. É do IPESP, pesquisa de opinião sobre o governo Kassab. Espero a moça dizer sobre o tema da pesquisa, IPTU, transporte e trânsito, entre outros. Digo a ela, que por ser funcionária pública de São Paulo, na condição de Professora, e jornalista da área de transportes não posso mesmo ser entrevistada. Ela agradece e desliga. Jamais saberei o teor da pesquisa, mas já sei que kassab está investigando as bobagens dos últimos meses de sua administração. Qual o critério para a pesquisa. Morar na região central, aquela que vai pagar o IPTU da região dos Jardins, onde o Prefeito Kassab reside. Aliás, onde boa parte dos (ex-)prefeitos reside. Exceção do finado Pitta e da Luiza Erundina.
Bom, voltemos, Kassab está fazendo pesquisa. A imprensa está perdendo seus furos. Já são duas postagens em que escrevemos à frente.
As pesquisas devem apresentar o óbvio. Deve haver pouca gente satisfeira com a gestão Kassab, talvez os proprietários das empresas da merenda e mais alguns companheiros do DEM. Quem sabe? Será que a pesquisa irá revelar isso? E a pergunta que não quer calar: QUEM ESTÁ PAGANDO A PESQUISA? Os cofres públicos, aqueles que tiveram a verba da varrição diminuída depois, dizem, estabilizada. Aqueles que como eu ficam sem aumento enquanto o Prefeito mantém dinheiro para atender emergenciais empresários em crise?
Quem sabe os usuários do fretamento, a modalidade de transporte coletivo privado que Kassab caçou/cassou duas vezes para favorecer o transporte individual, sejam entrevistados pelo IPESP. O que terão a opinar sobre a administração mais anti-democrática. Ah! se Maluf soubesse disso antes, teria apostado suas fichas em kassab e não em Pitta. Mas Kassab foi treineiro por isso age com tamanha propriedade fazendo das suas pela cidade. Se Maluf deixou sua marca da arquitetura da destruição (belíssimo filme-crítica sobre o que pretendia Hitler com suas ideias estéticas), Kassab não quer ficar por menos.
Aguardem.
Gislene Bosnich

Cracolândia renasce na Praça da República


Todo sábado, pelo menos, cruzo a Praça da República (região central de São Paulo) em direção ao metrô São Bento. A Praça que está em constante reforma - desta vez por pelo menos seis anos e meio da longa espera pelos benefícios da linha amarela do metrô, que já passou por quatro eleições e ainda não foi nem inaugurada - tem um tapume bem no centro. O tapume encobre o pequeno coreto, memória da primeira metade do século XX. Outros palcos, outras plateias.
O caso é que desde que o Prefeito Gilberto Kassab inventou a anedota de que iria acabar com a cracolândia na base do esguichão, espirrando literalmente os viciados para outros arredores... o centro da Praça da República se transformou na nova cracolândia. E o transeunte desavisado sem mais nem menos está no centro do pito do crackonômanos (com o perdão do neologismo). Há poucos metrôs há uma base comunitária da Polícia Militar que finge não perceber os cachimbos dos garotos, garotas e adultos de todas as faixas etárias. Da primeira vez não cheguei a ver nenhum deles fumando, mas da segunda vez percebi que o antigo copo d´água já foi substituído por utensílio mais versátil e menor. O usuário moderniza sua condição.
Aparentemente há um acordo para que estas pessoas não molestem nem assaltem quem passa pelo local.
Muitas matérias jornalísticas denunciavam através da fala de médicos que a cracolândia não acabaria por decreto e sim com um vigoroso programa de saúde pública, capaz de oferecer oportunidade de tratamento aos viciados... Algo nos moldes do combate ao vírus HIV, o vírus da AIDS. {Ah! é certo que a turma do não-se-pode-gastar-dinheiro-público-com-vagabundo vai gritar mesmo. Não-se-pode-desde-que-não-seja-seu-filho-a-perumbular-pelas-ruas-em-busca-da-pedra. Infelizmente, a sociedade está produzindo este tipo de mesquinharia entre nós. O dinheiro público é para ser gasto com o povo mesmo, em qualquer condição em que ele se encontre. Para opiniões como esta - de quem diz que quem entra nas drogas o faz por opção - deve-se ter muita paciência. É parte da macrodespolitização que o governo e a mídia ajudam a incutir na sociedade}.
Mas o governo Kassab que age segundo o histórico truculento de seu partido que muda muito de nome (ARENA, PFL e DEM), mas mantém a prática, mandou a polícia para cima dos usuários. O problema não se resolveu, apenas se alastrou. Em entrevistas com comandantes de operações, os policiais dizem que agora estão encurralando os traficantes que antes ficavam quase imperceptíveis quando a concentração de pessoas estava no entorno da Luz. Mas novos usuários assim como novos traficantes surgem aos borbotões, há pesquisas que informam sobre o aumento no número de usuários de crack.
Enquanto isso, o Prefeito posa de Senhor da revitalização do centro. Qual revitalização? Moro na Vila Buarque desde 1993, com pequeno interregno, e nunca o centro esteve tão deplorável. Não se trata somente de denunciar a farsa da revitalização. Não há nem lixeiras. E se há "vândalos" (de classe média/média alta que detonam com o patrimônio público) esta desculpa não serve. Pois que se façam lixeiras de concreto. O serviço de varrição parece que pelo centro não recuperou o volume de pessoas ocupadas com esta atividade.
Somos todos amontoados como lixo. Os usuários do crack somam-se ao lixo verdadeiro e ao ratos que brincam de amarelinha na Amaral Gurgel.
Em meio a estas contradições, o Prefeito também se vangloria da cidade ser a única com o Plano de Política Climática. Deve ser para aquecer os ânimos.. que é só o que tem ocorrido até então.
É isso.
Gislene Bosnich

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O vestido é curto, a hipocrisia é grande e a imagem é boa como a da Samsung - III Parte da Vilania brasileira


Quem diria, o título da postagem está rendendo mais que deveria, mas do que eu sonharia e mais do que pode suportar um blog que foi criado com o intuito de servir de ferramenta de debate com os alunos sobre a sociedade, desmascarando suas muitas faces - faces medonhas que, por ora, parecem explicitar-se neste ramo obscuro de viés do caráter humano: a hipocrisia.
Não escrevi antes por pura falta de tempo. É preciso descansar o corpo para repor a alma de dignidade e encarar a vida para tentar transformá-la... para melhor. Mas há dias em que a tarefa parece mais penosa. Também não escrevi antes porque simplesmente despejaria nesta tela ofensas dignas aos algozes da jovem mulher de vestido. Não estou transformando-a em vítima, não. Até porque a vítima é a Humanidade mesmo. (Depois voltarei a este aspecto). Aqueles, homens e mulheres, que redesenharam 100 mil anos depois o que pode ter sido a selvageria - estágio anterior da barbárie, que por sua vez precede a civilização - não merecem nenhum respeito. Na selvageria talvez nem tivéssemos estes instintos tão animilizados, e estigmatizados pela cena dos vários celulares. Grotesca cena. Uma turba de selvagens atrás da fêmea no cio? Não, eram humanos. Por isto a metáfora é incabível e de certa maneira uma ofensa a nossos antepassados, uma vez que não se pode concluir tal arbitrariedade da parte deles. Ou não estaríamos aqui para ver e relatar esta cena brutal.
Muitos artigos bons, milhares de comentários carregados de estupidez ainda maior. Mas mesmo entre os artigos bons, há muito moralismo, o falso moralismo. Porque a moral, que é particular, quando existe coerentemente não pode se intrometer na decisão alheia, não este tipo de decisão - sem cair naquela máxima pavorosa do liberalismo: "Minha liberdade começa onde a sua acaba". Não se trata desta cilada infantilóide. Não é sobre isso que escrevo. Se houver tempo, poderia me deter entre tentar distinguir moral de ética. Não aqui nem agora. Num texto longo para figurar nas laterais do blog.
É importante notar que o ocorrido na Uniban de São Bernardo não deixa dúvida sobre o que está correndo com adolescentes e jovens adultos que passaram sua infância vendo e ouvindo o pior da produção lixo musical-visual (Sempre pode piorar) da década de 90e dos anos 2000. Mas não quero parecer, nem sou mesmo, saudosista; lixo cultural não é novidade nem vem de hoje, apenas - é certo - não para de se aprofundar.
Há um misto de repressão sexual com imaturidade absoluta - mais ou menos do tipo: "sou irresponsável porque posso ser" - enquanto muitos comentam que nossos jovens são super bem informados, com a cabeça boa, para discutir assuntos tabus. Balela pura. Estamos retrocendo na desmitificação da sexualidade. Os rapazes disparam suas armas machistas com uma precisão vexatória. Incrível como tão cedo vêm de casa soltando seus petardos de moral machista e caluniosa sobre a pseudo virilidade incontrolável do homem e a sempre previsível submissão feminina. (As garotas, em geral, concordam com absurdos que começam com uma aparente delicadeza, como levar o material dos garotos e fazer suas atividades em grupo. São essas rapazes que depois aparecem trancafiando suas ex-namoradas. Não se enganem, são eles mesmos, que nunca foram detidos em sua perversão de terem tudo que querem!). É de arrepiar até mesmo os conservadores. Estamos recuando em conquistas da década de 60 e 70. E nisso sim a escola deve cumprir um papel de abrir o debate para ouvi-los.
Mas não é só o machismo. Também há pérolas do racismo e da homofobia combinada com o machismo.
Na TV, os comerciais continuam vendendo a velha história da mulher bonita e burra e do homem, senhor do conteúdo, da racionalidade. Vejamos a propaganda da Samsung, a do blu-ray, aparelho que deve substituir o aparelho de DVD (lógica do capital - obsolescência programada). A Melhor Imagem com o Melhor Som. Aparece uma mulher que abre a boca e entoa um trecho de uma ópera, só que a voz é masculina. Que brilhante!!!. A imagem feminina agrada, mas o conteúdo dignificante, que é o que importa na ópera, é a voz de um tenor ou barítono. Um homem. É o fim! Não, não é. Até a próxima propaganda de cerveja.
Por ser da área de comunicação social, sempre que possível, porque o assunto rende bastante, introduzo algumas observações a respeito dos comerciais de TV. E alerto sobre a indução que sofremos diariamente de maneira subliminar.(Não se trata de abrir um novo assunto aqui, mas que pode ser objeto de outra postagem: as propagandas sobre veículos estão focando as crianças, querem criar o novo público consumidor de carros para a posteridade).
Ontem à noite, Dia Nacional da Consciência Negra, assisti a entrevista com o compositor, jornalista e escritor Nei Lopes, no Sala de Notícias da TV Futura. Um homem objetivo, que disse logo no início: meu novo livro é para combater a importância que estão dando a coisas desimportantes e atacar a mediocridade que grassa na sociedade brasileira. Senti-me aliviada. Pois é possível conhecer, ler, assistir e ouvir a vozes dissonantes da mediocridade, babaquice, mau caratismo, infantilidade e fobias que rondam a Humanidade. Sobre a miséria? Nenhuma palavra. nenhuma matéria. A elite continua ocultando o cadáver.
É isso.
Gislene Bosnich

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Quando Vanusa encontrou Nelsinho Piquet na curva ou A hiprocrisia nossa de cada dia: o retorno



Entre os fatos absurdos que nos recusamos a acreditar que passarão despercebidos, figuram na minha última lista a façanha - a única diga-se de passagem - do megacorredor de fórmula 1, Nelsinho Piquet; o suprasumo da tentativa de se converter dinheiro em talento.
Nelsinho Piquet, para se redimir do crime que cometeu ao bater no carro de outro piloto na competição do ano passado, está correndo, agora, nos Estados Unidos. Mas esta não foi a única nem isolada notícia surpreendente. O algoz do sábio piquetzinho , Fernando Alonso, aquele que sabia de tudo, mas não declara nem arrependimento, é embaixador da Unicef. O moço, além da missão grandiosa e até por ela mesma, fez uma visita a uma comunidade carente da zona sul da capital - por ocasião do GP do Brasil em Interlagos.
Que exemplo de criatura... Colocar em risco a vida de duas pessoas apenas para papar mais alguns milhões de dólares em sua já polpuda conta... é de arrepiar o coração dos déspostas. É desse exemplo que as crianças precisam mesmo. Um homem honesto, cheio de brio e índole indelével de tanta pureza de espírito e espírito competitivo.
Em pensar que a cantora Vanusa foi execrada por cantar erroneamente a letra do Hino Nacional. Isso sim é que é imperdoável. Bater no carro de uma pessoa a 200 quilômetros por hora, colocando sua própria vida em risco é parte do esporte e expressa a irracionalidade do capitalismo diante do Deus-lucro-mor-senhor-de-tudo;mais-que-nunca-menos-que-amanhã.
Quando tento explicar aos alunos a gênese da formação do capitalismo em sua sanha de obter lucro nada melhor que os exemplos atuais vindos do esporte, cada vez mais prostituído. Primeiro o futebol, depois, o atletismo, a natação, e faltava mesmo um exemplo dilacerante da Fórmula 1 para aqueles que não haviam se contentado com a estúpida morte de Senna ter sido provocada por uma mísera barra de volante que deixou de ser trocada.
Quando Vanusa encontra Nelsinho Piquet na curva, tudo pode acontecer, mesmo não sendo as curvas da Estrada de Santos com seus pedágios privatizados.
É preciso recuperar o bom senso. É preciso desmascarar a hipocrisia popular e erudita. E construir novas gerações com dignidade que se pratica (e se ensina).
Gislene Bosnich

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A hipocrisia nossa de cada dia...


Há tantos assuntos para serem tratados que muitos podem acreditar ser um desperdício comentar uma propaganda de TV. Mas o fato é que o nível de indignação é inversamente proporcional ao problema e revela muito sobre esse momento da sociedade brasileira. Recentemente, uma marca famosa de chinelos (ou seriam sandálias?) veiculava um comercial de 30 segundos na TV com uma cena pacata de uma avó e sua neta almoçando em um restaurante. A senhora então comentaria a falta de sensatez da neta em calçar um chinelo naquele ambiente. Tudo isto num tom super tranquilo. A neta revida: “Ah! Vó, deixa de ser atrasada. Isso não é chinelo, é uma sandália”. Neste momento, adentra um ator global, tipo: galã atual. Automaticamente a avó vira-se para a neta e diz: “Você precisa é de um homem destes, minha querida”. A neta responde: “Deve ser super complicado se casar com alguém famoso. Um monte de gente em cima!!!”. A avó vira-se e dispara: “Quem falou em casamento? Estou falando em sexo”.
Pois bem, a propaganda ficou menos de uma semana no ar, porque o plantão de falsos moralistas apelou enviando e-mail´s para que fosse retirada. A senhora que interpreta a avó reapareceu explicando o sumiço repentino do comercial e disse que teve gente que reclamou, por isso, houve a retirada da veiculação. Mas teve gente que adorou (estou neste grupo, para que não reste dúvida sobre minha opinião). Por conta destes, o comercial pode ser visto no site da empresa de calçados.
É o fim da picada que alguém reclame de um comercial cheio de ginga e da boa malícia que está se perdendo à medida que adentram os lares programas dominicais de um nível de baixeza, que fariam corar o mais vil dos seres humanos. Afora os que povoam as emissoras de TV durante a semana e que tratam a inteligência do povo como esterco. É realmente trágico que alguém se sinta ofendido com a suavidade deste comercial e não se repugne com a vulgarização cotidiana do corpo feminino vendido como esterco (aditivado) em outras propagandas, como as de cerveja, quando somos comparadas a algo que se pode degustar, e não conquistar. A uma mercadoria saborosa. Não quero aqui discutir o machismo, pois o espaço é infinitamente curto para sequer iniciar o debate. Quero discutir este falso moralismo. Daqueles que não falam palavrão, mas roubam carteira. Daqueles que condenam os “políticos”, mas viram as costas e dizem que fariam igual se lá estivessem. Daqueles que se mascaram de religiosos, mas não agem com decência nem solidariedade com os “próximos” que encontram pelo mundo. Daqueles que querem que o diferente seja banido.
Temos de ser tolerante com todas as campanhas. Mas os moralistas falsos são intolerantes. Recentemente transformaram o fumante num criminoso (deixo claro que não fumo, mas não tenho acordo com esta outra hipocrisia). Não se pode fumar em paz, nem beber em paz, não se pode falar palavrão. Mas pode-se ser desonesto, mau caráter, tirano, oportunista. Porque aí, aí ouve-se: mas o outro é que foi trouxa. Então, o honesto é tratado como idiota. Não há chance para o bom caratismo. Também pode-se ser burro, passar a nós a fio sem ler um livro... (menciono os que têm acesso, sei que são poucos, mas é a estes que me refiro), sem ir ao cinema, sem ir ao teatro. Pode-se assistir a um programa em que as mulheres se vulgarizam como esterco aditivado, mas não se pode fumar um cigarro ou falar palavrão. Aí o cordão dos falsos moralistas parecem ser gritar uníssonos: absurdo! Que absurdo! Absurdo mesmo é este mundo em que vivemos.
A primeira vez que vi a atriz, a senhora que interpreta a avó, explicar o sumiço do comercial fiquei tão indignada que sai da frente da TV. Quer dizer que se pode promover o culto à morbidez, a imbecilidade cotidiana, à falta de estética (o belo da arte) que está tudo bem. Mas a malícia divertida de falar sobre sexo é vedada às boas almas? As mesmas que se locupletam assistindo a programas de qualidade duvidosa. A sexualidade não é um crime. E em algum momento a escola (já que consta da grade curricular, dos Parâmetros Curriculares Nacionais do MEC) não poderá se furtar a debatê-la como a mesma tranquilidade que qualquer profissional discute os conteúdos que são de sua responsabilidade em qualquer âmbito de trabalho. O maior estímulo ao sexo infelizmente é idiotizante e submisso e está expresso nas danças e nas músicas que a programação chinfrim das emissoras oferece todas as manhãs/tardes/noites para estes milhares de telespectadoras chocados com a nossa querida vovó, mas que não veem problema no caos que estão as cabeças dos adolescentes que reproduzem este medonho padrão de relacionamento social quando o exemplo que têm em casa não é crítico, respeitoso, explicativo e realista.
Vivam as vovós... as reais que ensinam que a vida não são nádegas, mas que elas fazem parte da vida.. E as vovós dos comerciais, que são divertidas como deve ser a sexualidade.
Gislene Bosnich

sábado, 22 de agosto de 2009

Novas ditaduras ainda podem surgir? Entraremos numa nova onda?

O golpe em Honduras está bem perto de completar dois meses e os manifestantes continuam lutando nas ruas para acabar com o governo dos golpistas e exigir o retorno do Presidente eleito Manuel Zelaya.
É claro que as forças militares que apoiaram o governo golpista de Roberto Micheletti continuam reprimindo violentamente as manifestações. Um militante enviado a Honduras pela Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas)disse por e-mail que a situação se mantém porque professores estão à frente das moblizações, mas que a imprensa diariamente mostra depoimentos de pais e de mães pedindo o retorno dos 'mestres' às escolas.
Zelaya foi arrancado do poder, mas a mesma imprensa tão preocupada em divulgar o chamamento à educação não divulga que Zelaya foi eleito democraticamente. . O que se pretende neste texto é escancarar a desfaçatez da imprensa, principalmente da nossa, que quase nunca diz que o presidente deposto foi eleito. Que diferença faria a divulgação insistente do processo de condução ao cargo?, poderiam perguntar alguns. Faz toda diferença, pois, enquanto a Organização dos Estados Americanos (OEA), comandada pelos Estados Unidos, mesmo como o Barack Obama como novo presidente, não move uma palha para denunciar e exigir a saída do golpista, a imprensa mais uma vez encobre a realidade, quando seu papel deveria ser o de explicitá-la. Sejamos mais óbvios, a imprensa deveria mencionar em todo noticiário que se trata de um golpe nos moldes dos golpes que varreram a América Latina entre as décadas de 60 e 70, a começar pelo Brasil e terminar pela Argentina que liquidaram pelos menos duas gerações de jovens; os que morreram na guerrilha, os que morreram na perspectiva de vida que poderiam ter e os que passaram a estudar sob a ótica infame dos ditadores.
Quem não se lembra dos livros de História que mencionavam uma "Revolução de 64" e nada, absolutamente nenhuma linha sobre torturas, mortes e assassinatos. Mas destacava a "destemida" caça aos "terroristas". Nenhuma palavra, aliás, nem sequer, a palavra correta: golpe constava do livro de História oficial.

Entre a ditadura atual e a ditadura antiga, que os diretores da Folha de São Paulo (aquele jornal que se autodenominava numa propaganda da década de 80: "o jornal de rabo preso com o leitor"), um exemplo vem do cinema. Estreou ontem, A Onda. Já o assisti na semana passada durante o Clube do Professor, em São Paulo. O filme é uma produção alemã, local onde também é ambientado, que leva ao exercício sobre possíveis novas ditaduras no mundo. O filme atual repercute um média metragem de 1981, que não conheço, por sua vez baseado em uma experiência de um professor californiano (Estados Unidos) em 1967, esta última real, sobre um exercício para reproduzir uma autocracia.
Vale a pena a professores e alunos o debate. Não é sempre que se pode discutir metologia, influência, distúrbio de personalidade, perda de controle e soberba numa única película.
Gislene Bosnich

sábado, 1 de agosto de 2009

O que todo mortal pode fazer para se defender da Gripe H1N1, a gripe A ou gripe suína, como é popularmente conhecida

Reproduzo na íntegra as postagens de alguém que pelo menos consegue expressar o que qualquer pessoa pode fazer para evitar a contaminação, preparando seu sistema imunológico para ficar mais resistente. O e-mail foi publicado originariamente no site da Revista Época

"MARCELO FETHA". É IMPORTANTE. A GRIPE CONTINUA AGINDO. É sempre bom se prevenir. A pedido de um amigo de pesquisas no tempo do nosso saudoso e querido Corsini, do qual fui amigo (nos anos 70) e discípulo no começo dos anos 80 em Imunologia e Genética (Unicamp), vou repassar a todos a maneira mais correta e saudável de enfrentar essa Influenza A (erroneamente chamada de gripe suína). O melhor que vc pode fazer é reforçar o seu sistema imunológico através de uma alimentação correta e saudável, no sentido de manipular sua imunidade, preparando suas células brancas do sangue (neutrófilos) e os linfócitos (células T) as células B e células matadoras naturais. Essas células B produzem anticorpos importantes que correm para destruir os invasores estranhos, como vírus, bactérias e células de tumores. As células T controlam inúmeras atividades imunólogicas e produzem duas substâncias químicas chamadas Interferon e Interleucina, essenciais ao combate de infecções e de tumores.
Bem, vamos ao que interessa, ou seja quais alimentos são importantes (estimulam a ação do sistema imunológico e potencializam seu funcionamento).
- Antes de mais nada, tome pelo menos um litro e meio de água por dia pois os vírus vivem melhor em ambientes secos e manter suas vias aéreas úmidas desestimulam os vírus. Não a tome gelada, sempre preferindo água natural e de preferência água mineral de boa qualidade;
- Não tome leite, principalmente se estiver resfriado ou com sinusite pois produz muito muco e dificulta a cura;
- Use e abuse do Iogurte natural, um excelente alimento do sistema imunológico.
- Coloque bastante cebola na sua alimentação;
- Use e abuse do alho que é excelente para o seu sistema imunológico. Coloque na sua alimentação alimentos ricos em caroteno (cenoura, damasco seco, beterraba, batata doce cozida, espinafre cru, couve) e alimentos ricos em zinco (fígado de boi e semente de abóbora);
- Faça uma dieta vegetariana (vegetais e frutas). Coloque na sua alimentação salmão, bacalhau e sardinha, excelentes para o seu sistema imunológico;
- O cogumelo Shiitake também é um excelente anti-viral, assim como o chá de gengibre que destrói o vírus da gripe.
- Evite ao máximo alimentos ricos em gordura (deprimem o sistema imunológico), tais como carnes vermelhas e derivados.
- Evite óleo de milho, de girassol ou de soja que são óleos vegetais poli-insaturados. Importante: mantenha suas mãos sempre bem limpas e use fio dental para limpar os dentes, antes da escovação.

Gripe suína mata muitos enquanto o governo Lula brinca de esconde-esconde

Os médicos que não são famosos e atendem gente de carne e osso, em geral, pobres/trabalhadores nos ambulatórios e hospitais públicos do país, garantem que o Tamiflu deveria ser indicado para todos os que chegam aos mesmos hospitais com febre intermitente, sintoma mais que comprovadamente aliado aos indícios confirmativos da gripe H1N1, gripe A ou Suína, como o povo entende e nome pelo qual a chama.

No entanto, parece que a maioria aderiu à cantilena de que tomando Tamiflu pode-se ampliar a resistência do vírus. A ponderação é correta, porém, o que fazer com os que contraíram o vírus? Mas entre aqueles que não aderiram a esta visão governista, estreita e pragmática, há um pequeno do grupo de profissionais da saúde que se atrevem a dizer a realidade. Simples, no mundo do capitalismo: O governo Lula não quer quebrar a patente, até o momento, do único remédio capaz de evitar que milhares de pessoas somem-se às estatísticas sobre o número de mortos que só cresce no Brasil. Onde estão o Tamiflu e o Relenza?
É verdade também que boa parte dos mortos são pessoas de baixo poder aquisitivo, ou, para ser mais específico, são trabalhadores que chegam aos hospitais com um quadro regular e não são diagnosticados. Depois, quando o quadro evoluiu já não há mais tempo. Basta ver as histórias que se repetem em todo o país. Muitos correram aos hospitais e nada foi feito. Em casa pioraram e "surpreendentemente" faleceram depois de alguns dias.
Quebra de patente ou defesa da saúde privada?- O governo Lula, na figura de seu Ministro da Saúde, José Gomes Temporão está provocando diretamente estas mortes. Primeiro, porque, assim como a crise econômica mundial, tudo estava sob controle. Mas a verdade é que nos aeroportos, primeira porta de entrada do vírus, nada existia de campanha de esclarecimento e de controle. E eis que hoje estamos à mercê da sorte. Sorte?!
Os profissionais de saúde, há também inúmeros relatos, estão proíbidos de utilizar máscaras e equipamentos alternativos de higiene. O que acontece se houver baixa em quem atende a população?
A própria Organização Mundial de Saúde (OMS), um órgão que está longe de dizer a verdade sobre a saúde pública no mundo, foi quem avaliou que seria melhor interromper as aulas. Mas o Estado de São Paulo, dirigido pelo governador José Serra, titubeou até quando pôde e o assecla, Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab ainda teve dúvida se interromperia o retorno, mesmo com apenas oito dias úteis de recesso escolar na rede municipal.
Um amigo me disse que o Jornalista Boris Casoy afirmou tratar-se de uma vergonha, bordão mais que ultrapassado, que as escolas públicas de ensino fundamental e escolas infantis tivessem paralisado suas atividades, porque as escolas infantis particulares estavam funcionando normalmente. Quantos seres humanos atendem as escolas infantis particulares?
Seria conveniente que o jornalista tivesse disposição para andar em ônibus, metrôs e trens e ainda lecionar para salas com mais de 30 alunos (às vezes, 40 e 50 se se considerar o ensino estadual) para compreender a gravidade de seu comentário.
1 trilhão para os banqueiros a morte para os trabalhadores -
Mas o mais interessante é que enquanto o governo regateia o antídoto para a gripe A existente hoje, ontem, dia 31 de julho, a emissora de TV fechada Globo News difundia por alguns programas o resultado da operação SALVA BANQUEIRO MUNDIAL. De setembro de 2008, quando ocorreu a farsa da "quebradeira" do Lehman Brothers até hoje (ontem, no caso), os Estados-Nações tinham destinado ao sistema de banco em todo o mundo 10 trilhões de dólares. Vou repetir: 10 trilhões de dólares. E pasme: DESTES 10 TRILHÕES DE DÓLARES, 1 TRILHÃO DE DÓLARES SERIA A PARTE QUE O BRASIL DESEMBOLSOU PARA SALVAR OS BANQUEIROS. Esta informação estarrecedora entrou no jornal Em cima da hora das 13 e das 14h. Depois no Em cima da hora das 15h. o complemento sobre a parcela de ajuda que o Brasil deu aos "seus" banqueiros já não constava mais da informação. (Estaria a cifra incorreta? Pouco provável, pois quando ocorrem erros, rapidamente a edição seguinte trata de repará-lo. Corte político? Mais provável). Vamos repetir: 1.ooo.ooo.ooo.ooo de dólares dos cofres públicos brasileiros para o bolso dos banqueiros, na redução de impostos, na redução de arrecadação, na redução de recursos para as pastas da educação, da saúde, de saneamento básico, da cultura, da habitação, entre tantos outros destinos necessários e urgentes.
No Brasil, bem diferente da falácia da ditadura militar, como seu slogan: Ame-o ou deixe-o, ou caso, agora é: Transforme-o ou morra, com qualquer uma das inúmeras misérias que se abatem sobre nós, o povo.

Gislene Bosnich

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Primeiro ano do blog... a persistência é a última que morre

Hoje o blog Contra a barbárie completa um ano. Mas não é o único aniversário. Eu completo seis anos lecionando.
Foi num 30 de abril que inicei minhas aulas num curso de suplência à noite. Logo de cara apliquei uma atividade na segunda aula. Hoje avalio a conduta intempestiva de quem está cheio de garra, gana de transmitir conhecimento transformador. Seis anos depois, acredito que o furor não tenha diminuído, afinal, o blog é apenas uma expressão de que nossa gana muda, mas não se apaga. Nisso, nega o poema de Vinicius de Moraes. Que seja infinito enquanto dure, posto que é chama. É verdade que às vezes demora para termos nossa chama mais vibrante, mas trabalhar diretamente com pessoas é um valor que não se pode mensurar. Tem suas amarguras, mas tem suas recompensas.
Estamos aí apagando essas velinhas... e esperamos apagar sempre as das melhores datas.
Obrigada por quem acompanha o blog.
Gislene Bosnich

sábado, 25 de abril de 2009

Dilma Roussef adoece e o povo morre

A Ministra da Casa Civil, Dilma Roussef acaba de conceder uma entrevista coletiva anunciando que está se tratando de um linfoma detectado na axila esquerda e disse, de acordo com a matéria do Estadão, que todos deveriam fazer um check-up.
À parte a doença, que ninguém dúvida ser uma má notícia para qualquer ser humano, o conselho da Ministra é no mínimo cínico, pois, com o desvio de dinheiro público para os cofres da iniciativa privada - principalmente após a crise imobiliária estadunidense que repercutiu em todo o mundo, o Sistema Único de Saúde (SUS) está cada vez mais à beira da falência: sem profissionais, sem equipamentos. Às vezes, falta até mesmo esparadrapo e gaze, então, fica difícil acreditar que ela tenha se dirigido ao povo brasileiro. É pitoresco que tantos de nós morramos muito antes de chegar à sala de cirurgia, e que inúmeros sejam os casos de pessoas que são amputadas do órgão errado e por aí vai num show de horror que tem se transformado a saúde pública.
Os locais onde a saúde ainda não desmorou funcionam como um baluarte de campanhas políticas a cada biênio. É o caso do Hospital das Clínicas. Um centro de excelência com profissionais de alto nível, com instalações algumas muito sofisticadas, outras nem tanto, mas todas com alto padrão de atendimento, graças aos gabarito dos funcionários. Os equipamentos também não se comparam aos hospitais da periferia. Enfim, uma vitrine impecável mantida cada vez mais inacessível para boa parte da população.
Dilma Roussef nem mesmo optou por aquele. Foi ao Sírio-Libanês; um hospital privado da elite, e sem sombra de dúvida com pessoal também altamente capaz. Mas que exemplo se tem dos chefes de Estado ou os que almejam sê-lo. José Alencar, o vice-presidente, não surpreende, mas Dilma poderia ter sido mais atenta na escolha do local onde fará o tratamento e na fala sobre: todos devem fazer um check-up. Num país onde morre-se de Dengue, de subnutrição e de outras "doenças", a falta de sensibilidade não poderia ser maior. (Politicamente, Covas foi mais habilidoso, fez propaganda do HC até o fim).
O povo brasileiro aguarda por oportunidade semelhante para tratar suas doenças.
Gislene Bosnich, saudável até o momento.

domingo, 22 de março de 2009

Caquinha de nariz ou mau hálito? Questões que podem mudar sua vida!

Outro dia, passando o controle remoto por nossa diversificada, vasta e inócua programação televisiva pude me deparar com um dilema quase que existencialista emitido por uma magnânimo da comunicação brasileira. Tanta ironia não é sem motivo. A indagação, o apresentador e emissora são por si só anedóticos, mas revelam um pouco deste nosso carcomido mundo hipócrita e emburrecedor. Antes, porém, é preciso lembrar que a TV brasileira não nasceu analfabeta. Ao contrário, sua programação era para instruir, formar, sensibilizar com o melhor da literatura universal de todos os tempos. O lixo foi sendo construído aos poucos, lentamente, principalmente para ganhar os letrados da época. (Pesquisa da década passada apontava os telespectadores de maior renda como os que mais assistiam aos programas populares. Motivo: gostavam de ver pobre brigando ou em situação ridícula; resposta que os próprios indicaram).
Eis que zapeando (ou seja, passando com o controle remoto por algumas emissoras de TV), deparo-me com Marcos Mion, questionando uma figura feminina, do tipo modelo-manequim-atriz, se ela preferia ter caca no nariz ou mau hálito. Diante de tão importante questionamento, que faz todos os mortais travarem consigo mesmos um embate moral do mais alto calibre - perdoem-me, a ironia não me abandona – fiquei perplexa e titubeei na mudança de canal. Queria aguardar a resposta que mudaria toda a minha vida. Eu já havia perdido 10 preciosos segundos. Não me custaria tanto assim aguardar mais 10.
Um balanço de cabeça para lá, outro para cá. E a figura feminina, do tipo modelo-manequim-atriz, dispara: o mau hálito. O apresentador, em um momento pleno de sensatez, dialoga: “Mas justo o mau hálito?”. E continua: “A caquinha sai, mas o mau hálito é mais difícil”.
E a imagem? A imagem, a aparência? A beleza artificial da boneca branca de cabelo liso com rosto rosado? Imagine ter esta imagem destruída por uma caquinha.
No fundo, a modelo-manequim-atriz foi absolutamente coerente. Ela pensa naquilo que lhe convém. Na imagem. A caquinha de nariz faz todo a diferença. Mau hálito? Mau hálito não aparece na câmera. Nem na foto. Nem em caras e bocas. Nem em revista alguma.
E os nossos adolescentes e os jovens adultos? Estão embarcando cegos neste paradigma? Norteiam-se por esta mesma ‘coerência’? Há lugar para a inteligência neste mundo? A sensibilidade, o humano? Ou só para a aparência oca da ausência de caquinha no nariz?
É preciso retomar o debate sobre o que se pretende com essa insensata busca pelo belo, que afinal nem é belo. O esquálido não é belo, o cabelo liso parece uma ditadura. E todos os outros padrões que se construíram na última década e meia. Incluindo a moral que há por trás deles. Pelos que são retirados à morte e que depois retomam como tatuagem. Anos fazendo a sobrancelha para depois esticá-la com lápis ou tatuagem permanente. Todas as marcas são apagadas, e as que se veem são postiças. Menos uma: a da ignorância em todo dia tentarmos desenfreadamente apagarmos quem somos. Vai uma caquinha no nariz ou um pouco de mau hálito? A inteligência está sendo banida. Cuidado!!!

Gislene Bosnich, texto
Imagem extraída do site: http://www.vejaisso.com/ (apenas extrai a imagem, não me responsabilizo pelo conteúdo deste site)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

São os empregos que queimam na quarta-feira de cinzas


Dizem que o país começa a funcionar depois do carnaval. Isso com certeza é uma anedota. Quem trabalha sabe disso. Para nós mortais trabalhadores o ano novo começa no mais tardar dia 2 de janeiro. Mas o que importa é que se para alguns ele ainda não havia começado, então, agora é prá valer. (E não adianta falar que o brasileiro é isso ou aquilo, e que trabalha pouco. Isso tudo é produto da ideologia. O Japão tem mais feriados que o Brasil, e na Europa a jornada é menor - e sem redução de salário. E isso por conta das muitas lutas!) . Trabalhamos muito com um dos salários mais baratos do mundo. Por isso tantas montadoras vêm para cá, entre outros ramos. O grande atrativo é o salário barato, mas a ele somam-se isenção nos impostos (IPTU, ISS, ICMS).

Prá valer também é o número crescente de trabalhadores desempregados. Na última semana tivemos 4200 trabalhadores da Embraer (instalada em São José dos Campos) perdendo seus postos de trabalho. Nem colombina nem pierrot vão ressuscitá-los. Só a luta, como já está ocorrendo, pode fazer voltar cada trabalhador ao seu lugar.

O Presidente Lula, por sua vez, não quis receber os sindicalistas que representam a base de São José. O presidente está ocupado.

Já a Direção da empresa emite um comunicado dizendo que respeita os demitidos, numa manifestação que beira o sarcasmo e a ironia. O que será respeitar os demitidos? Talvez seja algo como: "...reconhecemos que todos trabalham com eficácia, mas a crise nos fará produzir menos e então..."

A crise existe, é real, e de tamanho assombroso, mas o capitalista aproveita para deslanchar na demissão para intensificar ainda mais a exploração sobre aqueles que ficam. Não podemos esquecer dos lucros astrômicos que tais empresas tiveram e agora, mesmo com a crise, não significa que vão perder dinheiro, apenas que vão faturar um pouco menos.

O que acontecerá a estes trabalhadores se tiverem ouvido o anúncio do Presidente Lula em rede nacional no final do ano, conclamando os brasileiros a consumir: "Consumam, vão ao shopping, façam compras, a economia não pode parar, comprem carros, financiem casas, consumam...". Primeiro trata-se de uma falácia, pois, esse consumo ínfimo não reverterá o caos das fraudes e bancarrotas a que estamos assistindo mundialmente. Todo dia ouvimos que a economia está globalizada, a economia está conectada, a economia, e o seu braço invisível (que agora como todos percebem: atende pelo nome de Estado, que não cansa de destinar verba pública para salvar a champagne do burguês) se regulam e influenciam tudo e todos a sua volta. Isso é exatamente o que nos faz saber que não será alterando o consumo do nosso mercado interno que o problema passaria ameno pelo Brasil, acometido de uma pequena febre.
O mercado é globalizado e os efeitos só tem fim quando tiverem fim para os poderosos Estados que dirigem tudo a partir do interesse dos maiores monopólios.
Por aqui, enquanto o noticiário anuncia inadimplência e as demissões ocupam as principais manchetes, a popularidade do Presidente Paz e Amor continua alta. E o que pior, já dizem que não haverá como pagar o seguro-desemprego em 2010. Não haverá fundos. Embora para os empresários o fundo tenha sido grande, quase cósmico. Para os trabalhadores, há duas opções: ou chorar na quarta-feira de cinzas ou descer da arquibancada e começar a jogar também. Porque essa passividade só fará aumentarem as lágrimas.
Gislene Bosnich

sábado, 31 de janeiro de 2009

Mania de fazer greve ou consciência política?



(Minha esperança é que as aulas de História tenham aberto a possibilidade de que se compreenda o mundo de maneira não inocente. Sabendo que mesmo nas situações aparentemente inexplicáveis, há, sim, uma explicação racional. Se neste ano alguns de vocês conseguirem perceber isso na realidade relacionando com a aula, será uma vitória. Se tomarem as 'lições' para a vida de vocês, será ainda mais importante. Boa sorte.)

Foto: Mulheres e homens defendendo emprego e salário em paralisação nacional na França, dia 29 de janeiro de 2009.

Nessa semana, os jornais e telejornais de todo o mundo tiveram de mostrar as imagens das manifestações contra o desemprego e pela manutenção dos salários dos trabalhadores franceses. Cerca de 2,5 milhões de pessoas tomaram as ruas, não só de Paris, a capital, mas de várias cidades. Uma verdadeira demonstração de consciência política, herença que vem se realimentando desde a Revolução Francesa.

Sabemos que embora não se possa encobrir estas manifestações talvez mesmo por serem na França (já que as manifetações estadunidenses são banidas dos nossos noticiários), sempre há quem distorça a realidade e apresente uma explicação absolutamente estapafúrdia. Daí vem o título deste breve artigo: Mania de fazer greve ou consciência política?

Assistindo a um programa na GloboNews, emissora da tv fechada, ouvi esta anedota de uma apresentadora. Ela dizia que os franceses tinham mania de manifestação. Uma outra, também conhecedora dos hábitos estrangeiros dado o vasto tempo em que morou no exterior, disse: "Ah! é assim mesmo, cada cidade tem a sua marca, cada país tem a sua marca. A da França são as manifestações".

É simplesmente surreal que alguém possa promover uma fala insensata neste nível em uma rede de tv. Ora, estamos vivenciando o início da maior crise financeira desde que o capitalismo começou a engatinhar há mais de 500 anos. A crise de 1929 foi grave, mas esta é gravíssima, e com poder muito mais destrutivo. As manifestações são para defender o emprego e o salário, a mais elementar exigência que um trabalhador pode ter. Por aqui... nada parecido. Ao contrário, diminuição de salário e demissões. Quiçá tivéssemos essa capacidade de nos organizarmos aqui no Brasil. Os franceses não têm mania de manifestação. Os franceses angariaram consciência política herdada e reconstruída por paralisações nacionais como a que se viu nesta semana.
Qual será a marca do Brasil? Curtir a marolinha anunciada pelo Presidente Lula? Marolinha para quem?


Fiquem atentos aos noticiários. Leiam, discutam com os amigos. Questionem os professores. O debate é muito bom e ajuda a compreender os fatos.

Gislene Bosnich, texto
Foto, sem autoria aparente, copy left

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Correspondente do Estadão relata destruição na Faixa de Gaza

Vale a pena ouvir o repórter do Estadão diretamente da Faixa de Gaza sobre o que está acontecendo na Faixa de Gaza depois da trégua com a posse de Obama nos Estados Unidos.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Da Faixa de Gaza à posse de Obama

Vale a pena refletir este momento histórico, mas não da maneira que a imprensa brasileira e mundial vêm retratando. De maneira crítica. Dois episódios que parecem isolados, mas que estão conectados pela mesma mão do poder, o governo imperialista estadunidense.


O genocídio promovido pelo Estado de Israel, criado em 1948 com o aval e apoio irresoluto dos Estados Unidos, dá novamente mostras de que pode se comportar da mesma maneira que seu algoz, Hitler.


Impedir a imprensa de entrar na Faixa de Gaza, impedir a ajuda médica e o envio de alimentos, bombardear hospitais, universidades, cemitérios, postos de saúde, prédio da ONU, seria o suficiente para que a própria ONU e os Direitos Humanos InternacionaL dissessem com todas as palavras que Israel incorreu em crime de guerra. No entanto, nenhuma palavra. Talvez uma branda exceção na grande imprensa tenha sido o blog de um repórter brasileiro, neto de libanês, para o jornal O Estado de São Paulo em sua edição on line (o blog não está visível com o glamour da posse de Obama), Gustavo Chacra, salve a memória não estar tão boa.


A imprensa internacional é toda sionista, e ainda há leitores que enviam postagens dizendo que os palestinos são terroristas e quem os defende deveria ser enquadrado como anti-semita (anti-judeu). Por favor, há um dado inegável: mais de 1200 palestinos mortos, 1/3 deles formado por cadáveres infantis, e do lado de Israel: 3 mortos. São dados inquestionáveis.

Quando os turcos mataram 1 milhão de armênios, expulsando-os da mesma terra que ocupavam desde sempre, Hitler lembrou aos seus camaradas da SS que se ninguém se lembrava dos armênios, ninguém se lembraria também dos judeus, muito menos dos comunistas, negros, homossexuais, pessoas com deficiência física e/ou mental mortos pela sua política eugenista e imperialista. O que ninguém se lembra mesmo é que a cifra de soldados da União Soviética mortos para deter os nazistas é muito maior: 15 milhões, somados aos 12 milhões de civis russos, chega-se ao impressionante número de 27 milhões de russos mortos, de acordo com dados de 1989 do Comitê de Estado Soviético para Estatísticas.
Enquanto a História se reacende e continua a brilhar sob os fogos de Israel, Barack Obama disse que não opinaria porque isso cabe a um presidente de cada vez. É quase imoral que qualquer pessoa acredite num argumento insensato e inconsistente como este.
Barack Obama faria o mesmo que Bush, chamaria os palestinos de terroristas e diria que daria todo apoio ao governo de Israel. Obama governa para os mesmos que Bush já governou e a ilusão depositada na expectativa de mudança só pode partir das ruas. Pois não será à base de canetada que sairá nenhuma medida que favoreça aqueles que apoiaram Obama pensando em reestabelecer a dignidade.
É preciso também dizer que há muitos israelenses que não concordam com o que acontece em Gaza (fazem passeata também), muito embora não critiquem a existência de um Estado de Israel. Tem um limite na compreensão, mas avançam ao criticarem a posição genocida dos dirigentes de Estado.
Aqui no Brasil, a imprensa não mostra as passeatas contra o genocídio promovido por Israel aos palestinos, como a que ocorreu em São Paulo, no dia 11 de janeiro, domingo, quando cerca de 5 mil pessoas se reuniram na avenida Paulista (MASP) e foram em direção ao Ibirapuera protestando contra o massacre. Nenhuma linha, nenhuma foto. A expressão de que a imprensa
tem um lado, e que a imparcialidade não existe.
Gislene Bosnich, foto e texto.

Contra a barbárie

Público-alvo: adolescentes
Motivar, impulsionar, levar à reflexão, levar à transformação consciente, coletivo sem anular o indivíduo.
O blog está disposto da seguinte maneira. Na coluna à esquerda estão disponíveis textos gerais, alinhados por série.
Também há slides de fotos de espaços culturais registradas por mim e sites sobre educação e saúde.
Já na coluna central estão as postagens. Postagens são mensagens que escrevo e envio sobre algum assunto atual e não necessariamente relacionado ao que estamos estudando. Todas as postagens podem ser comentadas, basta clicar em comentários. Aí você escreve sua opinião.
As postagens antigas estão alinhadas na coluna da esquerda. Por exemplo, o blog começou dia 30 de abril de 2008. Basta ir até arquivo do blog e procurar o mês e a data.
Voltando... na coluna central também há vários links que informam sobre possibilidade de consulta para estudo. São sites idôneos de entidades, em geral, públicas ou reconhecidas pela seriedade. Também há outro conjunto de links que agrupam espaço culturais.
Para os professores, o site dispõe de um link (sala dos professores) com textos sobre educação veiculados na mídia eletrônica, e também um canal de contato; o e-mail: contraabarbarie@gmail.com

Gislene Bosnich

Joe Sacco: o quadrinista com veia de historiador

(Restrito aos estudantes da EMEF Jackson de Figueiredo. Qual a programação de TV a que você assiste? (clique em apenas uma alternativa)

Simpsons - Bart e o Transtorno do Déficit de Atenção

Enquanto é possível... aproveite a vida.

A verdadeira história da bulímina e da anorexia

Gruipe Suína - Animação instrutiva

Melhores imagens (Destinado aos alunos)

Se você gosta de fotografar a cidade de São Paulo, envie sua foto para contraabarbarie@gmail.com ; ela pode figurar no blog.
Não valem imagens de pessoas com close no rosto. Mas se for multidão, tudo bem. A idéia é divulgar a cidade e uma forma diferenciada de enxergá-la. Procure inovar os ângulos de ver São Paulo.
Participe!
Gislene Bosnich

Concurso para os alunos

Concurso para os alunos
Qual o nome desta famosa praça? E qual famoso episódio teve início nela? (envie um e-mail contendo a resposta para contraabarbarie@blogspot.com)

Classe Média - Max Gonzaga e Banda Marginal (Leia postagem do dia 20 de julho)

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O Analfabeto Político - Bertolt Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, a criança abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.
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Gislene Bosnich

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