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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Um pouco de Copa do Mundo


Há tanta polêmica sobre a Copa do Mundo no Brasil e suas possíveis cidades-sedes e aberturas aqui ou acolá (parece tudo definido, mas muda a todo o momento) que o mais importante não é lembrado. E não se trata de ausência de memória, apenas da dinâmica do capitalismo mais elementar.

Para sermos coerentes com a trajetória do esporte no país, o jogo de abertura da Copa deveria ser em São Paulo e deveria ser sobretudo num estádio que está calcado nesta tradição do jogo, o Estádio do Pacaembu. Não é à toa que lá funciona o Museu do Futebol, que sem preconceito algum é um acerto muito grande, porque inspira àqueles que nunca iriam a um museu a fazê-lo e quem sabe se motivar a ir a outros. E também porque motiva pessoas como eu, que não estão animadas com o esporte e no que ele se transformou arrastado pelo desenvolvimento do capitalismo, visitarem um espaço que trabalha todas as formas de percepção físicas numa nova perspectiva de estética e apreciação menos estática.

A Praça Charles Müller que fica em frente ao estádio é a homenagem ao paulistando do Brás, filho de brasileira e escocês, da elite da época, que trouxe ao Brasil, a partir de São paulo o jogo que encantaria multidões, e que nem sempre foi essa turbulência de vaidade, dinheiro e patrocínio.

Em 2011 completam-se 116 anos que Charles Müller que o aristocrata, engenheiro de formação e jogador de futebol e depois árbitro por lazer, trouxe o futebol ao Brasil. O primeiro jogo, consta, ocorreu no Brás.
O estádio é pequeno e seria uma forma de homenagear o esporte e o pioneiro em apresentá-lo ao brasileiro. Os ingressos seriam poucos e aí reside o problema. O estádio é seguro e deveríamos parar de creditar ao local maior prestígio que ao espetáculo que ele abriga. O estádio iria ainda fazer aparecer um pouco da cultura indígena tão perdida ao Riacho das pacas, significado do nome Pacaembu.
Parece que a imprensa esqueceu destes detalhes.

É isso.

Gislene Bosnich

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Uma revolução em curso

Boa parte dos alunos, e uns poucos que ainda leem essas postagens no Contra a barbárie, não entende nada do que acontece neste momento nos países do Norte da África e do Oriente. Eles não comentam nem perguntam para os professores, sinal de que não foram sequer fisgados pelas notícias e pela suposta curiosidade em entender o que está acontecendo naqueles países. Os comentários dominantes são sobre: futebol e algumas vezes o lixo do Big Brother. E ao que tudo indica, agora o vídeo da escrivã da Polícia militar que aparece sendo despida por seus "superiores" numa verdadeira demonstração de abuso de poder com assédio sexual. (Isso é tema para outra postagem!)
A população nas ruas, metrô e ônibus, dependendo do percurso, comenta que não tem nada a ver com o que acontece lá. Mas não é verdade. A luta pela democracia, que é o melhor regime de governo quando a sociedade está dividida em classes sociais (trabalhadores e capitalistas) é o mínimo absoluto que se pode pleitear. Por isso, esta luta é uma luta legítima e importantíssima.
Um processo revolucionário (incompleto, mas ainda assim revolucionário e que pode se completar) como aconteceu no Egito pode e está despertando o povo de influência árabe a se manifestar também contra as ditaduras que completam décadas.
A cobertura brasileira sobre esses processos têm sido, como era de se esperar, melidranda e sempre pendendo mais para o lado do ditador que dos manifestantes. Nossa imprensa, subsede do Pentágono (prédio público das forças armadas que expressa o poder dos Estados Unidos) é incapaz de captar o desejo popular da transformação, pelo fim da opressão e da tirania. Em geral, o repórteres enviados para estas coberturas não conseguem se safar de trabalhar para emissoras comprometidas com as transmissões oficiais da Casa Branca.
Recentemente, tivemos um companheiro do PSTU que esteve no Egito e permaneceu lá até o diante seguida à queda de Hosni Mubarak, Luiz Gustavo Porfírio ainda está fazendo palestras e tem um blog: um brasileiro no Egito, em que conta os dias que antecederam a queda e a festa do povo na Praça Tahir, no Cairo, capital do Egito. Foi pela palestra dele que vim a saber que o exército egípcio era muito menos agressivo que a polícia egípcia; essa sim sanguinolenta.
Na Líbia, a situação está muito mais violenta. E o número de mortos nos diz que distintamente do Egito, em Tripoli (capital líbia) a situação irá até o limite. O povo seguindo o exemplo dos egípcios parece ter percebido a grandeza de sua força e o momento propício para retirar do poder não somente Kadhafi, mas o regime ditatorial que perdura há 42 anos.
Aqui, torcemos pela vitória do povo contra a opressão e a exploração.
Para quem quiser ver trechos da palestra que aconteceu no dia 17 de fevereiro em São Paulo, basta clicar aqui.
É isso.
Gislene Bosnich

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

São Paulo vive caos cultural




Por mais que os veículos de imprensa da grande mídia dediquem páginas e páginas a elogiar a pseudo "reurbanização" do centro e sua valorização, tudo não passa de pura especulação imobiliária traduzida em destruição de prédios, ora porque são reduto de crackeiros, ora porque destoam da paisagem do entorno (caso do treme-treme do Parque Dom Pedro, que está vindo abaixo e nada garante que o sucessor seja esteticamente melhor).
A gestão do Prefeito Gilberto Kassab é um verdadeiro terror e representa o desmonte de uma política pública que bem ou mal, na área da cultura, era consistente e mais democrática na gestão da Prefeita Marta Suplicy (Que fique claro que esta que escreve votou nulo quando de sua candidatura à reeleição). Mas a verdade tem que ser escrita.
O bairro da Luz não está se transformando numa Nova Luz, mas num novo espaço de especulação imobiliária, que pode até oferecer mais um equipamento cultural enquanto satisfaz o desejo de incorporadoras ávidas por território valorizado com a infra-estrutura que só o centro da cidade possui. O que também evidencia outro problema. São Paulo não investiu nada em transporte coletivo. Ao contrário, minou as alternativas de qualidade e não desenvolveu os corredores expressos tão necessários a uma melhor fluidez.
Preste a completar 100 anos, o Teatro Municipal (foto à direita) está fechado há quase três anos inteiros. Visitando o site da Prefeitura, há um aviso pedindo para uma aguardando reinauguração; ocorre que os 100 anos se completam em fevereiro. Assim ocorre e ocorreu com outros equipamentos de extrema importância na vida cultural da megalópole: permaneceram fechados. Portanto, verba de manuntenção economizada travestida de modernização. Em relação à Biblioteca Mário de Andrade, toda gestão municipal, desde Luiza Erundina (1989-1992), faz algum investimento de modernização (Talvez a exceção seja o ex-Prefeito Paulo Maluf), mas nenhum foi tão logo e manteve por tanto tempo fechado um patrimônio cultural da cidade. Há a biblioteca do Centro Cultural Vergueiro, mas se estamos discutindo a cidade de São Paulo, é óbvio que o acervo é diminuto. Aí não dá para dizer que o povo não lê e não tem interesse. Não há como. Sem contar que a quantidade de bibliotecas nos bairros também está longe de uma realidade possível, sequer menciono próxima ao ideal.
Outro problema é que a Biblioteca para sua reinauguração organizou um ciclo de palestras sobre os povos que influenciaram a sociabilidade e forjaram o perfil da cidade. A primeira palestra era sobre a influência do povo árabe. (Coindicidência com a relevância do que acontece no Egito). Havia 170 lugares. Vejam só. Não se trata de uma biblioteca de bairro, mas de uma biblioteca que é a segunda maior do Brasil (a primeira é a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, fundada por Dom João VI). Isso é ultraje! Então, houve uma reforma e não houve organização para se prever um público maior ou então a substituição da sala por outro maior dado o interesse? Fica a incógnita. E o desdém, não do pessoal da Biblioteca, mas de quem organiza um evento desses. Aí tem-se que implorar por uma poltrona. É deprimente. É quase humilhante como fila de liquidação de magazine.
Assim, durante os seis anos em que ficará à frente da Prefeitura de São Paulo, o Prefeito Gilberto Kassab manteve boa parte dos grande equipamentos públicos culturais fechados. Promove, herança dos dois primeiros anos de José Serra, a Virada Cultural, que é uma maneira de dizer que está havendo uma política pública real na capital. 24 horas de destruição do centro da cidade, que cheira a urina e tem seus poucos jardins pisoteados pela classe média que usa a região como vaso sanitário. Essa ideia não é minha, mas sim de um cronista, que não me recordo o nome, sobre como amanhece o centro após a Virada.
Para quem mora no centro exatamente por poder usufruir destes locais é complicadíssimo, mas é um deserespeito aos paulistanos que realmente querem ter tudo isso a disposição sem ter que pedir por favor.
É isso.
Gislene Bosnich

Contra a barbárie

Público-alvo: adolescentes
Motivar, impulsionar, levar à reflexão, levar à transformação consciente, coletivo sem anular o indivíduo.
O blog está disposto da seguinte maneira. Na coluna à esquerda estão disponíveis textos gerais, alinhados por série.
Também há slides de fotos de espaços culturais registradas por mim e sites sobre educação e saúde.
Já na coluna central estão as postagens. Postagens são mensagens que escrevo e envio sobre algum assunto atual e não necessariamente relacionado ao que estamos estudando. Todas as postagens podem ser comentadas, basta clicar em comentários. Aí você escreve sua opinião.
As postagens antigas estão alinhadas na coluna da esquerda. Por exemplo, o blog começou dia 30 de abril de 2008. Basta ir até arquivo do blog e procurar o mês e a data.
Voltando... na coluna central também há vários links que informam sobre possibilidade de consulta para estudo. São sites idôneos de entidades, em geral, públicas ou reconhecidas pela seriedade. Também há outro conjunto de links que agrupam espaço culturais.
Para os professores, o site dispõe de um link (sala dos professores) com textos sobre educação veiculados na mídia eletrônica, e também um canal de contato; o e-mail: contraabarbarie@gmail.com

Gislene Bosnich

Joe Sacco: o quadrinista com veia de historiador

(Restrito aos estudantes da EMEF Jackson de Figueiredo. Qual a programação de TV a que você assiste? (clique em apenas uma alternativa)

Simpsons - Bart e o Transtorno do Déficit de Atenção

Enquanto é possível... aproveite a vida.

A verdadeira história da bulímina e da anorexia

Gruipe Suína - Animação instrutiva

Melhores imagens (Destinado aos alunos)

Se você gosta de fotografar a cidade de São Paulo, envie sua foto para contraabarbarie@gmail.com ; ela pode figurar no blog.
Não valem imagens de pessoas com close no rosto. Mas se for multidão, tudo bem. A idéia é divulgar a cidade e uma forma diferenciada de enxergá-la. Procure inovar os ângulos de ver São Paulo.
Participe!
Gislene Bosnich

Concurso para os alunos

Concurso para os alunos
Qual o nome desta famosa praça? E qual famoso episódio teve início nela? (envie um e-mail contendo a resposta para contraabarbarie@blogspot.com)

Classe Média - Max Gonzaga e Banda Marginal (Leia postagem do dia 20 de julho)

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O Analfabeto Político - Bertolt Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, a criança abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.
Nada é impossível de Mudar. Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.
Privatizado. Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar. É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário. E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence.

Uma chance à Humanidade

Ser trabalhador nunca foi fácil. Ser mulher trabalhadora então ainda é mais complicado.
Este blog é uma maneira de não desistir de procurar formar trabalhadores críticos e que vão buscar transformar este mundo numa sociedade sem classes, sem exploração em que cada ser humano possa desempenhar o que desejar sem que isso signifique um crime.
Gislene Bosnich

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