Postagens populares

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Nem a alegria do povo restou


Quando do primeiro jogo do Brasil na Copa, em que pude ver a cidade começando a se preparar... Quando eu - como tantos - tivemos entrecortado o dia pelo jogo, alterando a rotina, foi difícil não se emocionar com a alegria popular. Seguia num ônibus pela Celso Garcia (grande avenida de São Paulo, ligando a Zona Leste ao centro da cidade). No dia seguinte, contei aos alunos que aquela sensação de ver a alegria popular é fascinante. Todo mundo apitando nas ruas, eufórico para chegar em casa, possivelmente comemorar com os amigos e com a família uma boa partida de futebol, regada a: churrasco, cerveja e refrigerante. Aquilo sim, era verdade, muito bonito de se ver. Porém, como discutíamos na 7ª série a formação do Estado-Nação e o nacionalismo, insisti para que eles observassem como outras notícias ficariam simplesmente secundarizadas, embora fossem muito mais importantes. O nacionalismo faz isso. Entre outras habilidades acaba por desviar o nosso olhar para algo que não vai alterar nossa vida. A Copa é um destes momentos. Mas, somos humanos...e apaixonados.


Então... é tentador começar o texto escrevendo um título mais bizarro e infantil com rima pobre, mas que deve estar fazendo parte das rodas de conversa deste final de semana: A caca da Copa é o Kaká. Mas justiça seja feita: o conjunto é mesmo deplorável e o maestro deve ter motivos não honestos para manter em campo alguém que nem de longe tinha condição de jogo. Patrocínios? A verdade é que os melhores jogos não estão entre os que o Brasil disputou nem com quem disputou. A Holanda não foi melhor. Foi menos ruim.


Dizem que todo brasileiro sabe montar uma seleção. Eu não sei. Mal sei as posições. Então, o leitor pode se perguntar por que estou palpitando. Porque tenho olhos e capacidade para perceber o que todos percebem. Com um estilo errado, equivocado, retranqueiro e com jogadores doentes não há condição de se jogar bem. E sem jogar bem... a sorte costuma ser companheira traiçoeira. Enfim, isso é o básico.
Por que estou escrevendo isto? Porque todos gostam também de falar como deve ser a educação, mas quem a vê de verdade? O seu processo? As doenças dos professores são tratadas como charlatanice e não dores provocadas pelo trabalho. Bem diferente do tratamento às lesões sofridas pelos jogadores. Sofrimento partilhado com os torcedores. Aí reside a diferença entre os palpites sobre algo que vemos e os palpites sobre o que nunca se acompanha. Mas o leitor pode se perguntar se as provas oficiais, dos governos, a que os alunos são submetidos não são as mesmas coisas que os jogos. Não, não são.
Os alunos não têm nutricionista, nem acompanhamento psicológico, nem tratamento para muitos dos seus problemas crônicos. Nem nós temos esse tratamento. (Ao contrário, não somos estimulados nem sequer a estudar. O que também se torna insano com jornada duplas, triplas, quando haverá tempo para se fazer algum curso sobre assunto específico?) Aliás, no geral, faltam-nos condições de trabalho, há perseguição política, mesmo quando se leciona bem (ou se dá boa aula, como dizemos). Jogar bola nas condições que têm estes jogadores é como se pudéssemos ter salas com poucos alunos, habilidades para atender os estudantes que precisam de atenção diferenciada, material e condição de encaminhar para as especialidades médicas. Isso resolveria todos os problemas da educação? Boa parte deles. Afinal assim como no futebol, que não se define somente em campo, a vida do aluno não se completa apenas pelas condições da escola, a família é outro ponto de apoio importantíssimo. Essa relação é vital.
E o salário? É lógico que não há nem como comparar. Apenas um pergunta. Por que os professores têm que ser tão mal remunerados a ponto de terem dois ou três empregos? Alguém já viu jogador jogar em dois ou três clubes ao mesmo tempo?
O salário, é verdade, como se viu, não garante comprometimento. Mas passar a vida pensando em quanto se vai receber - o que aliás é sina de todo trabalhador - é realmente uma pena que estes jogadores há muito já não sabem como é. Para todos os outros mortais, amanhã será 3 de julho de 2010, um sábado como outro qualquer. Agora as notícias voltarão e a alegria será menos alegre até que outra vez se monte o circo que nos faz acreditar que poderemos um dia sermos todos felizes, de verdade.
É isso.
Até mais.
Gislene Bosnich

Contra a barbárie

Público-alvo: adolescentes
Motivar, impulsionar, levar à reflexão, levar à transformação consciente, coletivo sem anular o indivíduo.
O blog está disposto da seguinte maneira. Na coluna à esquerda estão disponíveis textos gerais, alinhados por série.
Também há slides de fotos de espaços culturais registradas por mim e sites sobre educação e saúde.
Já na coluna central estão as postagens. Postagens são mensagens que escrevo e envio sobre algum assunto atual e não necessariamente relacionado ao que estamos estudando. Todas as postagens podem ser comentadas, basta clicar em comentários. Aí você escreve sua opinião.
As postagens antigas estão alinhadas na coluna da esquerda. Por exemplo, o blog começou dia 30 de abril de 2008. Basta ir até arquivo do blog e procurar o mês e a data.
Voltando... na coluna central também há vários links que informam sobre possibilidade de consulta para estudo. São sites idôneos de entidades, em geral, públicas ou reconhecidas pela seriedade. Também há outro conjunto de links que agrupam espaço culturais.
Para os professores, o site dispõe de um link (sala dos professores) com textos sobre educação veiculados na mídia eletrônica, e também um canal de contato; o e-mail: contraabarbarie@gmail.com

Gislene Bosnich

Joe Sacco: o quadrinista com veia de historiador

(Restrito aos estudantes da EMEF Jackson de Figueiredo. Qual a programação de TV a que você assiste? (clique em apenas uma alternativa)

Simpsons - Bart e o Transtorno do Déficit de Atenção

Enquanto é possível... aproveite a vida.

A verdadeira história da bulímina e da anorexia

Gruipe Suína - Animação instrutiva

Melhores imagens (Destinado aos alunos)

Se você gosta de fotografar a cidade de São Paulo, envie sua foto para contraabarbarie@gmail.com ; ela pode figurar no blog.
Não valem imagens de pessoas com close no rosto. Mas se for multidão, tudo bem. A idéia é divulgar a cidade e uma forma diferenciada de enxergá-la. Procure inovar os ângulos de ver São Paulo.
Participe!
Gislene Bosnich

Concurso para os alunos

Concurso para os alunos
Qual o nome desta famosa praça? E qual famoso episódio teve início nela? (envie um e-mail contendo a resposta para contraabarbarie@blogspot.com)

Classe Média - Max Gonzaga e Banda Marginal (Leia postagem do dia 20 de julho)

Loading...

Seguidores

O Analfabeto Político - Bertolt Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, a criança abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.
Nada é impossível de Mudar. Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.
Privatizado. Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar. É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário. E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence.

Uma chance à Humanidade

Ser trabalhador nunca foi fácil. Ser mulher trabalhadora então ainda é mais complicado.
Este blog é uma maneira de não desistir de procurar formar trabalhadores críticos e que vão buscar transformar este mundo numa sociedade sem classes, sem exploração em que cada ser humano possa desempenhar o que desejar sem que isso signifique um crime.
Gislene Bosnich

Visitante