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terça-feira, 30 de novembro de 2010

UPP deve ser a sigla para Unidade contra Pobre e Preto

É isso. Ninguém em são consciência pode acreditar que o que se viu no Rio de Janeiro foi uma ação de pacificação. E os mortos? Os mais de 50 mortos que estão sem nenhuma explicação até o momento. Quem eram? Já dá para prever que vem ação de extermínio de gente pobre e negra que mora no morro. É isso mesmo!!! Cadê os mortos que só apareceram nos jornais e em sites? E que sumiram das notícias de TV.
O que se assiste no RJ é o extermínio de gente de bem enquanto os verdadeiros mandantes saem ilesos mesmo quando são "descobertos" para inteligência militar. Garotos sem passagem alguma pela polícia e muitos homens e mulheres trabalhadores foram alvejados e somam-se ao número de mortos pelo tráfico. Até quando os brasileiros serão iludidos sobre o que ocorre no Rio de Janeiro? É preciso pensar sobre as pseudoações militares nos morros. A quem estas ações beneficiam? E as famílias que perderam os seus filhos?

Gislene Bosnich

sábado, 18 de setembro de 2010

60 anos esta noite






Ela que hoje padece com tantos adjetivos nefastos, foi o xodó do mundo. No Brasil não foi diferente. Nasceu inquieta, rebelde, experimentalista. Poderosa, não se furtou ao direito de fazer o que bem entendia divulgando o melhor da cultura do mundo. Trazendo as outras artes para dentro dela. Convivendo harmoniosa com a literatura e com o teatro, em especial. A TV completa 60 anos esta noite. Quando chegou... ninguém duvidava de seu potencial hipnótico. Ao ver os primeiros anos, assistindo aos videoteipes, fica-se emocionada (o) com a qualidade da programação que se tinha. O improviso e os erros, tão evidentes hoje, são pérola do autodidatismo. Assim parece ser com todas mídias quando surgem. Cheias de vida. Mas a vida mesmo está nas mãos de quem as opera.
Assim como o jornal e o rádio, a TV também causou frenesi. Era a junção de tudo. Ali, rápido, voz e imagem, em movimento. Tantas possibilidades. Culturais, educativas, de entretenimento. Tão geniais. A TV foi muito mais poderosa do que se julga e pensa hoje sobre e a respeito da internet. Ainda que esta também o seja. E seja tão promissora quanto sua irmã mais velha.
É verdade que o desgaste dos anos, a baixa criatividade, a vulgarização programática tiram o brilho desta companheira. Mas não é a ferramenta que não presta e sim a direção que se dá a ela. Isto é importante de lembrarmos. Outro uso, outra programação podem sim devolver à TV o papel revolucionário que lhe cabe tão bem até hoje. É preciso apenas que hajam mulheres e homens conscientes deste potencial de transformação.
Todas as mídias do mundo, uni-vos. Porque pelas mãos de quem as opera pode ser projetado outro mundo.
É isso. Parabéns à telinha. Ela merece. E aos seus fantásticos trabalhadores.
Gislene Bosnich

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Nem a alegria do povo restou


Quando do primeiro jogo do Brasil na Copa, em que pude ver a cidade começando a se preparar... Quando eu - como tantos - tivemos entrecortado o dia pelo jogo, alterando a rotina, foi difícil não se emocionar com a alegria popular. Seguia num ônibus pela Celso Garcia (grande avenida de São Paulo, ligando a Zona Leste ao centro da cidade). No dia seguinte, contei aos alunos que aquela sensação de ver a alegria popular é fascinante. Todo mundo apitando nas ruas, eufórico para chegar em casa, possivelmente comemorar com os amigos e com a família uma boa partida de futebol, regada a: churrasco, cerveja e refrigerante. Aquilo sim, era verdade, muito bonito de se ver. Porém, como discutíamos na 7ª série a formação do Estado-Nação e o nacionalismo, insisti para que eles observassem como outras notícias ficariam simplesmente secundarizadas, embora fossem muito mais importantes. O nacionalismo faz isso. Entre outras habilidades acaba por desviar o nosso olhar para algo que não vai alterar nossa vida. A Copa é um destes momentos. Mas, somos humanos...e apaixonados.


Então... é tentador começar o texto escrevendo um título mais bizarro e infantil com rima pobre, mas que deve estar fazendo parte das rodas de conversa deste final de semana: A caca da Copa é o Kaká. Mas justiça seja feita: o conjunto é mesmo deplorável e o maestro deve ter motivos não honestos para manter em campo alguém que nem de longe tinha condição de jogo. Patrocínios? A verdade é que os melhores jogos não estão entre os que o Brasil disputou nem com quem disputou. A Holanda não foi melhor. Foi menos ruim.


Dizem que todo brasileiro sabe montar uma seleção. Eu não sei. Mal sei as posições. Então, o leitor pode se perguntar por que estou palpitando. Porque tenho olhos e capacidade para perceber o que todos percebem. Com um estilo errado, equivocado, retranqueiro e com jogadores doentes não há condição de se jogar bem. E sem jogar bem... a sorte costuma ser companheira traiçoeira. Enfim, isso é o básico.
Por que estou escrevendo isto? Porque todos gostam também de falar como deve ser a educação, mas quem a vê de verdade? O seu processo? As doenças dos professores são tratadas como charlatanice e não dores provocadas pelo trabalho. Bem diferente do tratamento às lesões sofridas pelos jogadores. Sofrimento partilhado com os torcedores. Aí reside a diferença entre os palpites sobre algo que vemos e os palpites sobre o que nunca se acompanha. Mas o leitor pode se perguntar se as provas oficiais, dos governos, a que os alunos são submetidos não são as mesmas coisas que os jogos. Não, não são.
Os alunos não têm nutricionista, nem acompanhamento psicológico, nem tratamento para muitos dos seus problemas crônicos. Nem nós temos esse tratamento. (Ao contrário, não somos estimulados nem sequer a estudar. O que também se torna insano com jornada duplas, triplas, quando haverá tempo para se fazer algum curso sobre assunto específico?) Aliás, no geral, faltam-nos condições de trabalho, há perseguição política, mesmo quando se leciona bem (ou se dá boa aula, como dizemos). Jogar bola nas condições que têm estes jogadores é como se pudéssemos ter salas com poucos alunos, habilidades para atender os estudantes que precisam de atenção diferenciada, material e condição de encaminhar para as especialidades médicas. Isso resolveria todos os problemas da educação? Boa parte deles. Afinal assim como no futebol, que não se define somente em campo, a vida do aluno não se completa apenas pelas condições da escola, a família é outro ponto de apoio importantíssimo. Essa relação é vital.
E o salário? É lógico que não há nem como comparar. Apenas um pergunta. Por que os professores têm que ser tão mal remunerados a ponto de terem dois ou três empregos? Alguém já viu jogador jogar em dois ou três clubes ao mesmo tempo?
O salário, é verdade, como se viu, não garante comprometimento. Mas passar a vida pensando em quanto se vai receber - o que aliás é sina de todo trabalhador - é realmente uma pena que estes jogadores há muito já não sabem como é. Para todos os outros mortais, amanhã será 3 de julho de 2010, um sábado como outro qualquer. Agora as notícias voltarão e a alegria será menos alegre até que outra vez se monte o circo que nos faz acreditar que poderemos um dia sermos todos felizes, de verdade.
É isso.
Até mais.
Gislene Bosnich

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Da barbárie haitiana à festa do povo: o Deus redondo

Muita água rolou de 5 de janeiro para cá. Infelizmente, no sentido mais literal que isto pôde significar. Do Rio de Jnaiero, de São Paulo, de Minas GErais, de Santa Catarina, e novos tremores, no próprio Haiti e no Chile rondaram as notícias dos jornalistas que se locupletaram com tragédias.
O povo haitiano continua muito mal. A miséria passeia de braços dados com a esperança deste povo lutador e vitorioso pela resistência de quem já venceu espanhois e outros imperialismos. Mas miséria é miséria. Tem seu custo impresso nas almas de quem está vivo ainda naquele lugar. As forças de paz? Fazem tudo para manter a paz da burguesia local. Os Estados Unidos passaram a controlar o aeroporto impedindo ajuda. Essa é a ajuda real e capital da ONU, do Brasil (cãozinho abanando o rabinho para o Império-mor) e dos Estados Unidos.
Já o povo chileno sofreu menos com o terremoto que atingiu o país, menos no que diz respeito ao número de mortos, porque a destruição de casas e histórias ali contidas também foi de grande expressão. (Conheci uma senhora que vende artesanato, bolsas, na Praça da República que estava em Santiago (capital do Chile) no momento do terremoto. Vive no Brasil há 25 anos e foi visitar parentes. Nunca mais pretende voltar. Seu relato combina fala, gestos e toques; segurou com força em meu braço e balançou com toda força para dar dimensão do que foi o terremoto)
Infelizmente, a barbárie ronda o mundo todo, todo o tempo. Muito recentemente, Israel, em mais uma medida hitleriana, atacou embarcações de ajuda humanitária à Faixa de Gaza, para onde foram expurgados os palestinos. Terrorista a bordo, disseram os porta-vozes de Benjamim Netanyahu, o primeiro ministro da estrela de Davi. Onde estariam os terroristas? Até o momento ninguém localizou. O Estado de Israel não representa os perseguidos de Hitler. Hitler perseguiu também comunistas, negros, homossexuais e pessoas com deficiência física e mental. Hitler não era um louco. Hitler estava em meio a uma crise de superprodução capitalista, destas que precisam destruir tudo para construir novamente gerando dividendos a quem for reconstruir. E que costumam funcionar bem a partir de intervenções bélicas, mas comumente conhecidas por guerras. Hitler não é acusado pela morte de cerca de 27 milhões de soviéticos, que quase ninguém conhece ou lembra de somar na conta dos crimes do nazismo. Ninguém deve esquecer o Holocausto. NENHUM DETALHE DELE e não somente a parte que inclui os judeus.
Mas tudo isso já são águas passadas, afinal o Deus redondo está em campeonato. O Futebol, grande opiário popular, depois da religião, de boa parte da programação da TV, e mais recentemente do lixo que impregna as ditas canções juvenis; as drogas de ocasião.
São Paulo, a cidade que abrigou o primeiro jogo de futebol, trazido por Charles Müller não vai abrir a Copa, possivelmente. E qual a relação disto com toda a tragédia mencionada anteriormente? Toda, pois a mesma força que destroi lá, atua aqui para fazer dos interesses maiores a decisão aparentemente técnica da ausência do Estádio do Morumi da abertura. Nem o histórico Estádio do Pacaembu tem alguma importância.
Não há absolutamente nada que o capitalismo não capitalize. Os jogos iniciais da Copa podem até não expressar o futebol sem sal que se joga nem as convocações que atendem a critérios prá lá de discutíveis. Jogadores que possuem patrocínios de grandes marcas e grifes são sempre preferidos em relação àqueles que ainda jogam na várzea do seu país com patrocinadores locais.
So é possível torcer com a energia da boa-fé mesmo quando se é jovem. Depois, à medida que passa o tempo, por mais inocente que se seja, já não é possível desdenhar da força dos interesses dos envolvidos. Já que não se trata de saudadosismo. Afinal, até quem vive de comentar o jogo sabe que a graça de outrora só no videotape. Também não vi do melhor, mas isso que está aí é indecente.
Dizem que se evidencio a vida profissional destes jogadores há os grandes capitalistas e intermediários que ganham de fato. Não nego isso. Mas que profissional trabalhador vive cercado de garantias de saúde, e com tanto razoabilidade do patrão para equívocos da vida mundana? Isso sim é que ninguém comenta. A bola está em jogo... mas o futebol está distante.
É isso.
Gislene Bosnich

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

4 bilhões montadoras X 10 milhões vítimas das enchentes

(foto do Rio Paraitinga)

Isso mesmo. Esses são os valores que o governador de São Paulo, José Serra vai destinar às vítimas das enchentes. É um valor ridículo. Já se sabe que só São Luiz do Paraitinga precisa de 100 milhões de reais para se recuperar. Mas o placar é mesmo contraditório. Afinal, no final de 2008, na crista da crise, em outubro, Serra doou 4 bilhões às montadoras do ABC Paulista, que, pobrezinhas, poderiam ter dificuldades. Lula não se fez de rogado também e foi quem puxou o cordão de doações. A contrapartida já é conhecida: demissões e vendas absurdas de veículos, recordes fantásticos, empurradas pela isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Mais automóveis, mais poluição, mais gasto com saúde pública.
É uma falta de vergonha na cara que ninguém da grande imprensa ainda questionou. Vidas, patrimônio histórico, infra-estrutura vão literalmente por água abaixo e o governo oferece uma gorjeta para remendar a parede que ficou em pé.. Mas o governador anunciou ontem, pela TV, em uma de suas caravanas venturosas por São Luiz que vai construir casinhas da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano). (A assessoria de imprensa deve ter dito que pegavam mal não comparecer ao local do crime, então, agora, todo dia o governador aparece) Quem é adulto sabe a dimensão destas casas. São minúsculas e não substituem o esforço que cada um destes desabrigados teve para construir a sua própria ao longo de anos. Parece que basta uma casa nova e pequena, que vai levar uma nova vida para ser paga, para compensar todas as perdas. Todo o sofrimento é minimizado ou mesmo desconsiderado em troca de favores como dormir nas quadras das escolas cujos espaços existem apenas em função das férias escolares. Se a tragédia fosse em outubro onde tais pessoas seriam alojadas. É um improviso secular.
Como o rio subiu mais de 10 metros ninguém pode dizer que as casas estavam em região de risco nem que a ponte de Agudos, município do Rio Grande do Sul ou a de Bofete, no interior de São Paulo, não foram construídas adequadamente. Ocorre que com todo dinheiro de impostos que pagamos, e somos nós que o pagamos, não há nem construção nem manutenção dos equipamentos públicos. É este o verdadeiro tema do debate. Ao invés de ficarmos discutindo se a Pousada Sankay tinha ou não licença ambiental. Tê-la impediria a tragédia?. Havia dois alvarás que sustentavam a presença da pousada. E que licença seria essa, já que o próprio governo do Estado autorizou a ampliação de construção nas encontas em junho?
De mais a mais que má fé pode haver se os proprietários da pousada perderam a filha? Quem garante também que a licença ambiental não teria sido obtida lícita ou ilicitamente?
Vamos refletir e denunciar a ação do governo, da imprensa e dos oportunistas que ficaram fora destes dois grupos, e agir para combater novas más notícias de ano novo, de meio ou final de ano. É isso.
Gislene Bosnich

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

“Por que não me ufano”, ou, Quando chega a chuva, os governantes evaporam



Logo de cara antecipo ao leitor que a frase-título está entre aspas porque não é minha. Seu autor é o jornalista e escritor Daniel Piza, que atualmente escreve no Estadão e tem uma coluna dominical no jornal cujo um dos intertítulos é: por que não me ufano, que por sua vez tem outra matriz. Mas vamos ao que interessa. Ufano, ufanismo. Do Aurélio: Ufanismo. [De ufano, do verbo ufanar, + ismo; por alusão ao livro Por que não ufano por meu país, do Conde Afonso Celso] S.m. Bras. Atitude, posição ou sentimentos dos que, influenciados pelo potencial das riquezas brasileiras, pelas belezas naturais do país, etc., dele se vangloriam, desmedidamente. Ou seja, um nacionalismo sem propósito.
Nestes últimos dias, os últimos de 2009 e os primeiros de 2010, uma onda prá lá de ufanista, de um nacionalismo sem aderência à realidade, invadiu os intervalos comerciais da TV com propaganda institucional de empresas privadas ou públicas ou dos próprios governos em suas três instâncias (municipal, estadual e federal). Os personagens destes comerciais agora começam a dizer, via rostinhos alegres e corados, que o Brasil é o país do presente... presente de grego, como o cavalo de Troia. Presente para as elites que vão lucrar com o investimento que o Estado será obrigado a fazer em infra-estrutura para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas, e que não necessariamente será revertido em prol do povo. Vejam o trem-bala, por exemplo, já foram veiculadas matérias jornalísticas divulgando que o custo da passagem mais barata, somente de ida, pode chegar a R$ 150,00 em valores de hoje.
Em momentos de calamidade e perda absurdamente desnecessária de vidas, como infelizmente tem-se visto, os governantes somem. Sérgio Cabral, do Rio, demorou dois dias para aparecer, Serra por São Paulo (e possível candidato à presidência da República) demorou três, Kassab – o fantoche revolto do PSDB, ainda não apareceu. Lula, só se vê pelas fotos tomando banho de mar. Nenhum depoimento mais contundente sobre o apoio para reconstruir a vida que as pessoas de todas as áreas atingidas precisam ter em dinheiro vivo e não em palavras que fogem com o vento. As catástrofes se acumulam e o interessante é que apesar de alguns internautas insanos, as pessoas começam a denunciar a ausência de obras que poderiam evitar boa parte das tragédias que ocorreram.
O descalabro é exatamente este: quanto mais há imagens exaltando o amor à pátria, mais os governantes evaporam quando acontecem as tragédias. Se aparecem, são cenas hollywoodianas, em helicópteros, em balsas. Mas o povo quando tem algum apoio logístico, são galochas, para não contrair qualquer doença ou ser fisgado por qualquer coisa, literalmente qualquer coisa, que possa existir no meio da lama, da água parada, e às vezes, da correnteza. Agora já nada dizem sobre o Jardim Pantanal, na cabeceira do Rio Tietê, na zona Leste da capital. Assim, é nossa imprensa (forjada junto com o capitalismo) ela também vive de lucro. Aqui o lucro é notícia mais nefasta. O Jardim do Pantanal, em que pese toda a destruição, só teve uma morte. Então, o lucro vem de onde há mais urubu sobrevoando. É triste, nojento, mas é assim. Basta observar a cobertura da imprensa. Enquanto isso, também vamos sendo forjados, numa poesia de ferro e fogo, para assistirmos repetidamente a cenas brutais. Até nos embrutecermos.
Por isso, por enquanto, mesmo com toda a crítica a cobertura da imprensa que explora à exaustão nossa compaixão pelos dramas de todos que perderam alguém nestas novas ondas pluviais, é impossível não se emocionar com os depoimentos. É uma catarse que ao contrário de expurgar nossos pequenos dramas, quer trazê-los à tona gerando uma culpa, uma espécie de agradecimento pela vida que se tem. Algo como: estou aqui, poderia estar lá com amigos e parentes e já ter sido enterrada. Na verdade, esse não deveria ser o nosso sentimento, compaixão não é culpa nem alívio. E também não é forma de agradecimento. Agora é hora de cobrar. Se há áreas de riscos elas não passaram a existir nos dias finais de 2009. Pessoas não constroem casas onde imaginam passar toda a sua vida e onde investem seu parco salário para verem chuvas torrenciais arrastarem tudo. Em 5 de janeiro, a imprensa divulgou um decreto do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, de junho de 2008, autorizando a construção de moradias nas encostas. É preciso apurar os fatos, é verdade. Mas é pouco provável que alguém tenha sido alertado sobre os riscos.
Também de São Luís do Paraitinga, dizem os estudiosos: berço do samba, interior de São Paulo, um internauta, no site do Estadão, cobrou a ausência um piscinão capaz de minimizar os estragos da cheia do rio. Mais mortes, mais destruição, mais inevitáveis lágrimas. São histórias de vidas, como as nossas, cheias de projetos que se esvaem num instante. É um corte abrupto para o qual não somos e não estamos preparados.
Antes da tragédia vinda com as chuvas, o assunto da imprensa era o caso Sean. Ora, faça-me o favor, isso nem seria assunto. O que qualquer um tem a ver com a história de uma criança que perdeu a mãe e precisa voltar a estar com o pai. Há alguma polêmica sobre isso? Nenhuma. Pais separados, mãe que fugiu com o filho e se casou novamente. Mãe morre e pai recupera o filho, que nunca abandonou. Não há polêmica, há falta de assunto. Novamente, a exploração aqui sentimentalóide de um caso isolado que só diz respeito aos envolvidos. Muito diferente deste descaso nacional, que não tende a se resolver com o fiasco que foi a Conferência de Copenhague, na Dinamarca. Para o capitalismo, a alegria de novas construções e novos investimentos. Para as pessoas reais, humanas, sobram apenas a dor e o inevitável recomeço.
Feliz 2010! O nosso recomeço metafórico. É isso.
Gislene Bosnich

Contra a barbárie

Público-alvo: adolescentes
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Também há slides de fotos de espaços culturais registradas por mim e sites sobre educação e saúde.
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Gislene Bosnich

Joe Sacco: o quadrinista com veia de historiador

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A verdadeira história da bulímina e da anorexia

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Participe!
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