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domingo, 13 de dezembro de 2009

Cinquentinha também ataca educação pública


Não assisti à noite, pois não acordaria para o trabalho, mas a nova minissérie da Globo, Cinquentinha, que pode ser divertida e promissora na abordagem de alguns temas-tabus, já esboçou - através da personagem Vanessa - sua paranoica campanha de difamação contra a educação pública.


A citada personagem no segundo episódio que foi ao ar dia 9 de dezembro (pode-se conferir pelo youtube: Minissérie Cinquentinha - Episódio 2 - 09/12/09 - Parte 3)está namorando um traficante, que óbvio é negro e é do morro. Mas afora os clichês - pois parece que só há tráfico no morro e só há traficante negro, o que está muito longe de ser verdadeiro, mas deixemos esta polêmica que agora não é a hora dela, para tratar de outra - a personagem Vanessa brada, cheia de suposta razão, que, enquanto o pai pode ser um petroleiro que passa metade do mês numa plataforma em alto-mar, o Olhão (personagem do traficante) não teve chance. E o pai pergunta: O tal do Olhão não estudou por quê? Porque ele perdeu o tempo dele numa escola pública! (retruca a personagem Vanessa)


Ora, 90% dos brasileiros perderam seu tempo na educação pública e isso não os tornou traficantes. Isso é um absurdo!!! É descaradamente uma campanha em favor da educação privada supostamente formadora de pessoas honestas e de uma índole incontestável, além de profissionais altamente gabaritados. Longe de ser verdadeiro o que está por trás desta simples frase de efeito é o fim da educação pública para entregar mais esta fatia à iniciativa privada, assim como foram entregues a telefonia (Veja a Telefonica que coisa boa em nossa vidas!) ou a energia elétrica(A AES que não foi boba de mudar o nome da Eletropaulo, que cobra a mais por energia que nem se consumiu, conforme recente denúncia).


Outro dia saiu no jornal uma pesquisa também supostamente baseada em critérios científicos dizendo que os piores profissionais são os que destinam ao magistério. E outra então dizia, que em geral os professores são filhos de pais com pouca ou nenhuma instrução formal. Então não há remédio. Sem nem estudando as pessoas que nascem de verdade no interior da classe trabalhadora podem ter chance o que querem estes pesquisadores patrocinados por empresas privadas.


Esta semana, uma destas pesquisadoras Paula Lauzano interpretou os dados de uma pesquisa para referendar a má qualidade do ensino público a partir da asuência de conhecimento dos pais/responsáveis sobre o conteúdo que os seus filhos irão aprender ao longo do ano. Isso é um Ultraje a rigor - para fazer trocadilho com a banda de rock dos anos 80.


Esses pesquisadores de gabinete não conhecem a realidade da escola pública, que ainda vive de mimeógrafo e que - há exceção de poucas redes - não dispõem de equipamentos de última geração (o que também não garante nada de antemão, aliás, às vezes nem ao menos de giz, depara-se com temas e momentos que são desconhecidos pelos senhores de gabinete, tais como: abuso sexual, espancamento, alcoolismo, dependência químicas de outra ordem, abandono, descaso, desestrutura emocional. Além disso, para ilustrar, papel higiênico é item de luxo no banheiro dos professores. Café e água pagamos do nosso bolso em cotizações mensais. Essa realidade não se expressa nas pesquisas nem parece fazer diferença nas estatísticas, mas faz. No dia-a-dia ainda temos que vencer estas fabulosas estatísticas.


Outra pérola que não aparece é a progressão automática que está há mais de 15 anos destruindo a educação pública em troca de cada vez mais políticas assistencialistas de leve-leite, entrega mochila, kit escolar, uniforme com meia e tênis, que são descartados para primos, irmãos, vizinhos carentes. Ainda há o delito de terem atirado de uma hora para outra a tal da cartilha Caminho Suave, o método de ensino mais injustiçado depois de 70 anos alfabetizando uma população, que o que aprendeu não esqueceu. Tudo foi enterrado em nome do pseudoconstrutivismo europeu trazido enlatado para os parâmetros brasileiros de superlotação de salas de aula.
É isso.
Gislene Bosnich

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