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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A hipocrisia nossa de cada dia...


Há tantos assuntos para serem tratados que muitos podem acreditar ser um desperdício comentar uma propaganda de TV. Mas o fato é que o nível de indignação é inversamente proporcional ao problema e revela muito sobre esse momento da sociedade brasileira. Recentemente, uma marca famosa de chinelos (ou seriam sandálias?) veiculava um comercial de 30 segundos na TV com uma cena pacata de uma avó e sua neta almoçando em um restaurante. A senhora então comentaria a falta de sensatez da neta em calçar um chinelo naquele ambiente. Tudo isto num tom super tranquilo. A neta revida: “Ah! Vó, deixa de ser atrasada. Isso não é chinelo, é uma sandália”. Neste momento, adentra um ator global, tipo: galã atual. Automaticamente a avó vira-se para a neta e diz: “Você precisa é de um homem destes, minha querida”. A neta responde: “Deve ser super complicado se casar com alguém famoso. Um monte de gente em cima!!!”. A avó vira-se e dispara: “Quem falou em casamento? Estou falando em sexo”.
Pois bem, a propaganda ficou menos de uma semana no ar, porque o plantão de falsos moralistas apelou enviando e-mail´s para que fosse retirada. A senhora que interpreta a avó reapareceu explicando o sumiço repentino do comercial e disse que teve gente que reclamou, por isso, houve a retirada da veiculação. Mas teve gente que adorou (estou neste grupo, para que não reste dúvida sobre minha opinião). Por conta destes, o comercial pode ser visto no site da empresa de calçados.
É o fim da picada que alguém reclame de um comercial cheio de ginga e da boa malícia que está se perdendo à medida que adentram os lares programas dominicais de um nível de baixeza, que fariam corar o mais vil dos seres humanos. Afora os que povoam as emissoras de TV durante a semana e que tratam a inteligência do povo como esterco. É realmente trágico que alguém se sinta ofendido com a suavidade deste comercial e não se repugne com a vulgarização cotidiana do corpo feminino vendido como esterco (aditivado) em outras propagandas, como as de cerveja, quando somos comparadas a algo que se pode degustar, e não conquistar. A uma mercadoria saborosa. Não quero aqui discutir o machismo, pois o espaço é infinitamente curto para sequer iniciar o debate. Quero discutir este falso moralismo. Daqueles que não falam palavrão, mas roubam carteira. Daqueles que condenam os “políticos”, mas viram as costas e dizem que fariam igual se lá estivessem. Daqueles que se mascaram de religiosos, mas não agem com decência nem solidariedade com os “próximos” que encontram pelo mundo. Daqueles que querem que o diferente seja banido.
Temos de ser tolerante com todas as campanhas. Mas os moralistas falsos são intolerantes. Recentemente transformaram o fumante num criminoso (deixo claro que não fumo, mas não tenho acordo com esta outra hipocrisia). Não se pode fumar em paz, nem beber em paz, não se pode falar palavrão. Mas pode-se ser desonesto, mau caráter, tirano, oportunista. Porque aí, aí ouve-se: mas o outro é que foi trouxa. Então, o honesto é tratado como idiota. Não há chance para o bom caratismo. Também pode-se ser burro, passar a nós a fio sem ler um livro... (menciono os que têm acesso, sei que são poucos, mas é a estes que me refiro), sem ir ao cinema, sem ir ao teatro. Pode-se assistir a um programa em que as mulheres se vulgarizam como esterco aditivado, mas não se pode fumar um cigarro ou falar palavrão. Aí o cordão dos falsos moralistas parecem ser gritar uníssonos: absurdo! Que absurdo! Absurdo mesmo é este mundo em que vivemos.
A primeira vez que vi a atriz, a senhora que interpreta a avó, explicar o sumiço do comercial fiquei tão indignada que sai da frente da TV. Quer dizer que se pode promover o culto à morbidez, a imbecilidade cotidiana, à falta de estética (o belo da arte) que está tudo bem. Mas a malícia divertida de falar sobre sexo é vedada às boas almas? As mesmas que se locupletam assistindo a programas de qualidade duvidosa. A sexualidade não é um crime. E em algum momento a escola (já que consta da grade curricular, dos Parâmetros Curriculares Nacionais do MEC) não poderá se furtar a debatê-la como a mesma tranquilidade que qualquer profissional discute os conteúdos que são de sua responsabilidade em qualquer âmbito de trabalho. O maior estímulo ao sexo infelizmente é idiotizante e submisso e está expresso nas danças e nas músicas que a programação chinfrim das emissoras oferece todas as manhãs/tardes/noites para estes milhares de telespectadoras chocados com a nossa querida vovó, mas que não veem problema no caos que estão as cabeças dos adolescentes que reproduzem este medonho padrão de relacionamento social quando o exemplo que têm em casa não é crítico, respeitoso, explicativo e realista.
Vivam as vovós... as reais que ensinam que a vida não são nádegas, mas que elas fazem parte da vida.. E as vovós dos comerciais, que são divertidas como deve ser a sexualidade.
Gislene Bosnich

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