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terça-feira, 27 de setembro de 2011

A violência nossa de cada dia


Esse título esta longe de ser inédito, eu mesma já devo tê-lo lido nos últimos tempos. Tempos que de remotos não têm nada. Até porque as cenas insólitas parecem repetir-se.

Um garoto de 10 anos atira contra a professora, sai da sala e se dá um tiro na cabeça. Morre.

O enredo de uma tragédia ou de um padrão de incivilidade que a sociedade começa a se acostumar no insólito, este sim, cotidiano das escolas? Brasileiras? Não, de todo o mundo. Que a escola sempre expressou a soberba, a miséria e a resistência da humanidade isso é verdade. O que vem mudando é que a equação está pendendo mais para o lado da barbárie.

O morto não pode ser ouvido. Ficamos com hipóteses daqueles que acompanharam os últimos momentos antes de que a brutalidade tivesse início."Ele só queria assustar a professora", disse um dos alunos da mesma sala em que o morto estudava. "Levar arma para escola aumenta o ibope do garoto", disse um outro.

Assustar professora. Por que desta forma? Aqueles inofensivos cocozinhos, feitos de argila, depositados sobre a cadeira, as tachinhas, as falsas baratas e os ratos feitos de palhinha estariam presos a um passado que nem era inocente, mas agora parece?

Por que a posse de objetos como: um celular, um tablet, uma arma ou um carro estão formando uma espécie de novo padrão de dignidade. Possibilidade que aumenta em muito a chance da cena se repetir. Que pais e que mães conversam com seus filhos sobre o que de fato é dignidade? O que é ser humano? Por favor, não venham com a lorota de que a TV é um algoz impune. A TV continua, como estão dizendo muitos, sendo tão frágil quanto sempre foi, basta desligá-la. Mas este também não é um caminho saudável porque não protege. É preciso discutir a velha e boa temática do ter e do ser, que já virou até título de filme.

A imprensa carcomida de sempre sai-se com manchetes do gênero: Polícia vai investigar possíveis motivos. O que é isso? Há motivo para alguém atirar no outro?

Quando um professora de origem grega, que assinou meu estágio realizado numa escola pública estadual da Zona Leste de São Paulo, foi assassinada numa outra escola também pública só que municipal, muitos professores, acredite, disseram que ela rigorosa. Agora então é o caso de matarmos os rigorosos? E o que significava o rigor daquela professora? Corrigir seus alunos. Ela até mesmo dispunha de dicionários para que eles se habituassem a buscar as palavras que desconheciam. Não, ela não era rigorosa. Ela era professora. Está morta há 12 anos.

Ninguém quer gastar tempo conversando e discutindo o que realmente importa, isso me lembra um livro de Leon Trotsky, A Nossa moral e a deles; é lógico que o texto tem um caráter mais amplo que educar crianças e jovens adultos, ou melhor, quer reeducar a todos no sentido de que o conhecimento irrestrito e tomado conscientemente através de uma prática pode transformar todas as morais em uma verdadeira ética. Mas, enfim, tem significado de expressar o que o capitalismo é capaz de fazer para aniquilar tudo que existe de Humano.

Recentemente, fui informada numa conversa ou numa leitura de notinhas, porque o assunto importante é sempre colocado numa notinha na página par num canto desprezível, que muitos jogos eletrônicos estão inserindo como alvo policiais e professores. É lógico que isso jamais fará com que qualquer pessoa, jovem ou velha, saudável mentalmente saia por aí disparando a esmo em figuras que se enquadrem no perfil. E esse é o ponto. Estamos deixando de ser uma sociedade saudável mentalmente. E se não estamos saudáveis discursos faceis de autopromoção e merecimento passam a dominar.

Em 2010, durante o Congresso do Sinpeem, assisti a uma palestra do Professor Doutor Ives de La Taille sobre como a violência tem funcionado como forma de visibilidade. No caso, Ivés, que também é professor, expressou mais a violência da truculência física, mas pode estender também para a violência da degradação não-física, que ninguém que está fora da sala de aula pode compreender. Ninguém. Essa degradação da dignidade para nós é a feição de dignidade para eles. Ou para fazer uma analogia, A nossa moral e a deles. Preservar, fortalecer e superar ou degradar e humilhar. São essas duas frentes em que vamos nos resumir dentro da nossa condição de classe trabalhadora que deveria ser única com suas complexidades e contradições, mas coesa frente ao que nos degrada, no fundo, a todos.

Quero conservar este sorriso que trazia ainda na tenra idade, olhando para minha adorável vó até mesmo para servir de resistência ao que nos espera. Quisera que todos pudessem ter uma foto também para recordar, porque precisamos resistir. Já que não será possível esperar que a moral deles prevaleça.

É isso.

Gislene Bosnich

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