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domingo, 22 de maio de 2011

Metrô, um direito à civilização ou quando o churrasco da gente diferenciada não tem gente diferenciada






Muitos já escreveram a mesma opinião que vou expressar aqui sobre a existência de uma estação de metrô na esquina da Rua Sergipe com a avenida Angélica, mas o caso é que isso merece mesmo uma reflexão sobre o nosso suposto processo democrático.

Primeiro quero dizer que estive como espectadora desta manifestação muito divertida, e por vezes, até mesmo politizada. O Sindicato dos Metroviários estava lá participando e denunciando a privatização da linha 4 amarela, que é exatamente a do Consórcio que provocou o acidente na estação Pinheiros (recém inaugurada) e da polêmica estação Angélica. E havia todo tipo de pessoa, incluindo eu mesma, mas o povo, a tal gente diferenciada não estava. E é simples saber o porquê, porque esta gente a que se referiu uma das moradoras - agora sem nome, rosto e moral burguesa real (aquela que assume sua tirania contra o povo) - só usará a estação para trabalhar. E aos sábados, àquela hora, a soneca ou o passar roupa com certeza eram as reais atividades. Imagine sair do bairro, gastar duas conduções, uma em alguns casos, para chegar até Higienópolis, num churrasco de gente diferenciada, de gente como são os trabalhadores mais humildes. Até porque trabalhadores também são os muitos que estávamos lá, mas a gente diferenciada a que se refere a senhora é mais pobre.

Veja não se trata de afastar os pobres como diziam os outros, mas mantê-los à distância planejada e sob controle de câmaras e holofotes que se acendem à noite como se quem passasse pelo logradouro fosse astro de TV. Isso porque os pobres trabalham nos escritórios, nos consultórios médicos, como faxineiros e faxineiras, empregadas domésticas. Então, é mentira que a classe média, média-alta não queira conviver com pobre. Quer sim! Mas não quer que ele tem a regalia de chegar de maneira tão civilizada ao local de trabalho. Ele tem que penar. E muito.
Uma das senhoras disse: "Minha empregada toma três conduções, ônibus (ela se lembrou rapidamente do nome do coletivo) e demora mais de uma hora e meia, mas não quer pegar o metrô porque é muito lotado!" E os ônibus são espaços recreativos em que se pode ler, ouvir música em fone próprio e ainda degustar canapés, servidos por cobradores que perderam sua função com o bilhete único. Nem Doroty em Oz poderia supor um mundo tão fascinante.

Seria muito bom que aqueles que realmente trabalham nas imediações da Avenida Angélica pudessem ter ido ao sábado, mas estavam muito mais ocupados em seus afazeres, irrevogáveis no curto prazo que tem, principalmente, em se tratando das mulheres. Seria muito oportuno que os camelôs também estivessem com seus pertences imperdíveis e que houvesse uma barraquinha vendendo chocolates para aquela fominha de quem não tem dinheiro para um lanche. Mas essa gente diferenciada estava cuidando da sua vida com a dignidade de quem trabalha e não assiste a vida passar como a Carolina de Chico Buarque.

Na verdade, o metrô é da gente civilizada e, por isso, diferenciada. Não essa burguesia que usa sacolinha de pano, mas não sai sem seu carro para ir até a esquina do Pão-de-acúçar, ali mesmo na Sergipe com a Angélica. É isso. Gislene Bosnich

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