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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Fetiche do celular, um encanto infantilizante

Há alguns meses discutimos em sala de aula o fetiche, segundo Karl Marx, um fenômeno próprio da sociedade capitalista em que a mercadoria (trabalho morto, já realizado) passa a ter maior importância que o trabalhador (trabalho vivo) que a produziu. Ou mais simples: quando a coisa adquire vida e o seu criador passa a ser o apêndice, o morto no sentido daquele que é conduzido pela coisa.
Com uma campanha publicitária feroz, uma nova empresa de telefonia celular adentra o Estado de São Paulo prometendo três meses de ligações grátis com uma exclusiva condição, a compra do chip. Não sei quanto custa o chip, mas sei quantas pessoas estão diariamente há cerca de três semanas aglomerando-se num pequeno quioesque próximo a catraca que dá acesso à estação Tatuapé (Zona Leste). É simplesmente inacreditável que haja tantos seres com tanto tempo disponível para ocupar, após o término da fila, falando, em geral, asneiras com outro qualquer do outro lado da linha.
Talvez aqueles que abandonaram o transporte público coletivo não saibam do que se trata, e imaginem mesmo que meu desabafo é até mesmo preconceituoso. Pois, nada disso é verdadeiro. A comunicação entre seres humanos continua muito ruim. As pessoas continuam não se entendendo, porque cada vez mais têm dificuldade em expressar seus desejos e suas intenções. E quando o fazem, acabam manifestando de forma ímpar a grosseria da comunicação que não se estabelece. No entanto, a compra de um chip parece ser ou estar travestida de alguma magia. Falar três meses de graça pelo celular vai arruinar de vez a qualidade do transporte público coletivo onde o bom senso pode ser considerado expressão banida até mesmo das novas normatizações do nosso idioma.
Além da não comunicação com o outro; do incômodo com os próximos seja pela fala com o outro, seja pelo som absurdamente alto destes novos imbecis; tem-se ainda o fascínio pelo equipamento, principalmente entre homenzarrões que freqüentam (ainda não baniram o trema, estou aproveitando) o metrô e passam distraidamente dezenas de minutos com seus equipamentos fálicos, bolinando as teclas num gamezinho, enquanto namoradas, esposas, amigas, olham as moscas. Onde está a comunicação real? Talvez assim que estas mesmas pessoas se distanciem dos homenzarrões, estes se lembrem de pegar o celular e ligar para elas. Mas enquanto elas estão ali próximas a eles, nada disso se materializa.
É natural que eu reclame, mas me sinto sendo vencida todos os dias. Num verdadeiro turbilhão de bobagens que se reproduzem muito mais velozmente que os vírus.
Quem aceita o desafio de andar de metrô pelos próximos dois meses, vai saber do que estou falando. Quem não aceitar, não reclame!
Gislene Bosnich

Um comentário:

olhodopombo disse...

interessante teu blog...

Contra a barbárie

Público-alvo: adolescentes
Motivar, impulsionar, levar à reflexão, levar à transformação consciente, coletivo sem anular o indivíduo.
O blog está disposto da seguinte maneira. Na coluna à esquerda estão disponíveis textos gerais, alinhados por série.
Também há slides de fotos de espaços culturais registradas por mim e sites sobre educação e saúde.
Já na coluna central estão as postagens. Postagens são mensagens que escrevo e envio sobre algum assunto atual e não necessariamente relacionado ao que estamos estudando. Todas as postagens podem ser comentadas, basta clicar em comentários. Aí você escreve sua opinião.
As postagens antigas estão alinhadas na coluna da esquerda. Por exemplo, o blog começou dia 30 de abril de 2008. Basta ir até arquivo do blog e procurar o mês e a data.
Voltando... na coluna central também há vários links que informam sobre possibilidade de consulta para estudo. São sites idôneos de entidades, em geral, públicas ou reconhecidas pela seriedade. Também há outro conjunto de links que agrupam espaço culturais.
Para os professores, o site dispõe de um link (sala dos professores) com textos sobre educação veiculados na mídia eletrônica, e também um canal de contato; o e-mail: contraabarbarie@gmail.com

Gislene Bosnich

Joe Sacco: o quadrinista com veia de historiador

(Restrito aos estudantes da EMEF Jackson de Figueiredo. Qual a programação de TV a que você assiste? (clique em apenas uma alternativa)

Simpsons - Bart e o Transtorno do Déficit de Atenção

Enquanto é possível... aproveite a vida.

A verdadeira história da bulímina e da anorexia

Gruipe Suína - Animação instrutiva

Melhores imagens (Destinado aos alunos)

Se você gosta de fotografar a cidade de São Paulo, envie sua foto para contraabarbarie@gmail.com ; ela pode figurar no blog.
Não valem imagens de pessoas com close no rosto. Mas se for multidão, tudo bem. A idéia é divulgar a cidade e uma forma diferenciada de enxergá-la. Procure inovar os ângulos de ver São Paulo.
Participe!
Gislene Bosnich

Concurso para os alunos

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O Analfabeto Político - Bertolt Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, a criança abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.
Nada é impossível de Mudar. Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.
Privatizado. Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar. É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário. E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence.

Uma chance à Humanidade

Ser trabalhador nunca foi fácil. Ser mulher trabalhadora então ainda é mais complicado.
Este blog é uma maneira de não desistir de procurar formar trabalhadores críticos e que vão buscar transformar este mundo numa sociedade sem classes, sem exploração em que cada ser humano possa desempenhar o que desejar sem que isso signifique um crime.
Gislene Bosnich