Em 2010, durante o Congresso do Sinpeem, assisti a uma palestra do Professor Doutor Ives de La Taille sobre como a violência tem funcionado como forma de visibilidade. No caso, Ivés, que também é professor, expressou mais a violência da truculência física, mas pode estender também para a violência da degradação não-física, que ninguém que está fora da sala de aula pode compreender. Ninguém. Essa degradação da dignidade para nós é a feição de dignidade para eles. Ou para fazer uma analogia, A nossa moral e a deles. Preservar, fortalecer e superar ou degradar e humilhar. São essas duas frentes em que vamos nos resumir dentro da nossa condição de classe trabalhadora que deveria ser única com suas complexidades e contradições, mas coesa frente ao que nos degrada, no fundo, a todos.Postagens populares
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terça-feira, 27 de setembro de 2011
A violência nossa de cada dia
Em 2010, durante o Congresso do Sinpeem, assisti a uma palestra do Professor Doutor Ives de La Taille sobre como a violência tem funcionado como forma de visibilidade. No caso, Ivés, que também é professor, expressou mais a violência da truculência física, mas pode estender também para a violência da degradação não-física, que ninguém que está fora da sala de aula pode compreender. Ninguém. Essa degradação da dignidade para nós é a feição de dignidade para eles. Ou para fazer uma analogia, A nossa moral e a deles. Preservar, fortalecer e superar ou degradar e humilhar. São essas duas frentes em que vamos nos resumir dentro da nossa condição de classe trabalhadora que deveria ser única com suas complexidades e contradições, mas coesa frente ao que nos degrada, no fundo, a todos.terça-feira, 5 de julho de 2011
Destruindo a aura de purificação e saúde em que o esporte está falsamente envolvido ou Cielo sim, Daine: não!
O que significa o esporte na atualidade? Uma competição como foi outrora? Quem ganha com competição? O povo está envolvido no esporte? Qual o nível deste acesso?
Discutir o doping do nadador César Cielo é discutir toda a trajetória de captação do esporte pelo capitalismo. E não vou entrar em juízo de valor sobre se a substância alterou ou não seu desempenho, porque para mim todas elas alteram há muito tempo; assim como há muito tempo o treinamento deixou de ser um cerne do desempenho atlético. (Isso também não é novidade e é evidente, principalmente nos jogadores de futebol que do nada aparecem com massa muscular). O caso é que ao criticar o esporte atual e a panaceia de que ele é capaz de regenerar crianças e adolescentes e adultos em situação de risco, direto ou indireto à saúde, sou de opinião que qualquer paixão pode libertar. Assim, a literatura, a arte e outras áreas podem prover maravilhas na recuperação de quem quer que seja. Isso, porque a disciplina não é algo militar por excelência - como querem nos fazer crer os que acreditam ser esta a melhor alternativa - e está associada ao encantamento que nos produz aquilo que amamos fazer. Para as crianças e jovens que amam desenhar, o desenho é benéfico a tal ponto que pais e mães ficam preocupados às vezes porque seus filhos não estão saindo de casa como deviam ou estão tendo menos amigos do que deviam. Também fui exemplo de preocupação em pais humildes sobre uma garota que lia muito. "Isso vai afetar a cabeça dela". Não, a literatura não é uma droga nesse sentido, mas ela afeta a cabeça, para usar a expressão recorrente em pessoas mais humildes, que entendem a leitura como uma arma que se volta contra o seduzido. Ela não se volta. Ao contrário do esporte que está destruindo moral e fisicamente seus "limpos" adeptos. Deixo claro, deste esporte que está associado a alta performance e muitos dólares, euros e libras na conta corrente. A fama, a glória em troca de um corpo-máquina arruínado em pouco tempo. (E não ao esporte amador, que também já sofre com as agruras do capital, mas ainda está mais ileso). É engraçado que ninguém comente porque todos - até os ditos atletas de Deus ou de Cristo - estão apresentando problemas físicos muito cedo em suas carreiras.
Habilidade versus Velocidade
No site do Estadão, até por falta de espaço, não pude desenvolver qualquer raciocínio mas questionei porquê temos tanto interesse em velocidade e tão pouco em habilidade. Não lembro de César Cielo fazendo qualquer pronunciamento sobre o acesso que a natação deveria ter num país como o nosso repleto de litoral e de rios. Fui execrada, e chamada pelos nobres internautas de nomes não de baixo nível (porque não seriam publicados) mas de baixa qualificação. Ou seja, ao invés de querermos que todos tenham acesso à natação, à esgrima, a ginástica olimpíca e a outras modalidades, ficamos apenas fanáticos torcedores de velocitas que longe de desenvolverem a capacidade corporal estão postergando um martírio movido a sabe-se lá que tipo de "remédios e pomadas".
Os esportes coletivos - sem contar o atletismo, cujo a finalidade pode ser questionada pelo alto número de fraturas de muitos esportistas que fazem uso de dieta e pomada e remédios superespecíficos - são mais democráticos quanto a auferir a habilidade e menos a velocidade. Não que ela não tenha importância, mas eu me pergunto: Qual a vantagem de correr 100 metros em menos de 9,5 segundos? Se tudo que gostaríamos era mesmo de poder andar traquilamente. Passear e fazer tudo sem pressa. É uma contradição que o ritmo de nossa vida seja um inferno de correria e que ainda por cima queiramos ver esportes que intensificam esse inferno.
Fui acusada de querer promover campeonatos entres os mais lentos. Não é sobre isso que estou me referindo. É sobre política pública, sobre a falsa aura de saúde em que está envolto o esporte como um todo. Sobre habilidade e velocidade. Sobre moral e ética. Porque todos sabem o que estão tomando. E o discurso de que confiei no treinador, desculpem-me, mas só vale para a gente tomar remédio da mão da mãe e do pai (E olhe lá pelo que já tivemos visto recentemente em relações filiais). Fora disso, tudo deve ser questionado no sentido da confiança.
Critérios misteriosos
Agora outro aspecto é por que Cielo, homem branco foi deixado apenas com uma advertência e Daiane dos Santos foi afastada? Mulher e negra. Mas também outras mulheres brancas e homens brancos tiveram muito mais penalização.
São modalidades distintas? Mas os critérios são claros!!! Se a substância altera o comportamento orgânico para um, também o fará para outro. Aí parece-me também que longe da resposta simples - e também correta, mas incompleta - sobre homens e mulheres, e brancos e negros, há também muito lobby, inclusive da Federação de Natação. E de tudo que está envolvido em termos de patrocínio pelo mundo.
Como se vê um assunto diminuto em seu reflexo pode nos levar a discutir e a pensar o envolvimento e a dimensão que fatos aparentemente pequenos e isolados têm em nossas vidas.
É isso.
Gislene Bosnich
Contra a barbárie
Motivar, impulsionar, levar à reflexão, levar à transformação consciente, coletivo sem anular o indivíduo.
O blog está disposto da seguinte maneira. Na coluna à esquerda estão disponíveis textos gerais, alinhados por série.
Também há slides de fotos de espaços culturais registradas por mim e sites sobre educação e saúde.
Já na coluna central estão as postagens. Postagens são mensagens que escrevo e envio sobre algum assunto atual e não necessariamente relacionado ao que estamos estudando. Todas as postagens podem ser comentadas, basta clicar em comentários. Aí você escreve sua opinião.
As postagens antigas estão alinhadas na coluna da esquerda. Por exemplo, o blog começou dia 30 de abril de 2008. Basta ir até arquivo do blog e procurar o mês e a data.
Voltando... na coluna central também há vários links que informam sobre possibilidade de consulta para estudo. São sites idôneos de entidades, em geral, públicas ou reconhecidas pela seriedade. Também há outro conjunto de links que agrupam espaço culturais.
Para os professores, o site dispõe de um link (sala dos professores) com textos sobre educação veiculados na mídia eletrônica, e também um canal de contato; o e-mail: contraabarbarie@gmail.com
Gislene Bosnich
Joe Sacco: o quadrinista com veia de historiador
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